Lançado o Jornal Comunitário do Bairro Belém Novo

Confira o primeiro número do Jornal, maio/junho 2019.

“O informativo terá periodicidade bimestral, sendo produzido por uma equipe de profissionais da própria comunidade (jornalistas, fotógrafos, colunistas, ilustradores), contando com colaboradores externos. Terá, também, um caráter de jornal laboratório mediante a parceria com universidades (cadeiras de Jornalismo Comunitário da PUCRS e UFRGS). Na prática, isso se dará da seguinte forma: estudantes serão encaminhados para participar das edições sob orientação da equipe e também de jornalistas convidados, que farão oficinas com os universitários.
    A cada edição a equipe fará reuniões de pauta aberta a convidados da comunidade, capazes de contribuir não apenas na construção de pauta quanto na linha do jornal. Assim, o Lado B pretende ser realmente um porta-voz dos moradores de Belém, mantendo a pluralidade, mas com uma linha clara de valorização do desenvolvimento socioambiental. Dessa maneira, pretende contribuir para a inversão da lógica de que o norte sempre indica o rumo a seguir. Parafraseando o pintor e escritor uruguaio Joaquín Torres García, “nosso norte é o sul”.” (Jornal Comunitário do Bairro Belém Novo)

Clique na imagem e confira a primeira edição digital do jornal comunitário Lado B!

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Em três episódios reportagem sintetiza a questão envolvendo a Fazenda Arado Velho – Belém Novo – Porto Alegre

Primeiro episódio:

 

Segundo episódio:

 

Terceiro episódio:

 

Leia mais sobre a Fazenda do Arado Velho localizada em Belém Novo, Porto Alegre(aqui).

Texto sobre a retomada Guarani Mbya (aqui).

Juíza suspende eficácia de lei que aumentou índice construtivo na Fazenda Arado Velho

Fonte: Sul21

Refúgio de centenas de espécies de animais, incluindo peixes, jacaré, capivara, lontra, ratão do banhado, ouriço, graxaim, entre outros. (Foto: Movimento Preserva Arado – http://www.preservaarado.wordpress.com)

Marco Weissheimer

A juíza Nadja Mara Zanella, da 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, reconheceu a existência de um vício na Lei Complementar 780/2015, que aumentou o índice construtivo na área da Fazenda Arado Velho, localizada na zona sul da Capital, e suspendeu liminarmente a eficácia da mesma. A referida lei alterou, por iniciativa do então prefeito José Fortunati, a Lei Complementar 434/1999, que instituiu o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental da Capital.

Leia mais:
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Moradores de Belém Novo tentam barrar novo condomínio de luxo

O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul ajuizou ação civil pública contra o município de Porto Alegre e a empresa Arado-Empreendimentos Imobiliários S.A. para apurar a existência de danos ambientais causados pela implementação do Condomínio Fazenda Arado Velho, na Estrada do Lami, bairro Belém Novo. Segundo apontou o MP, a nova legislação modificou os limites do regime urbanístico da Fazenda Arado Velho aumentando os limites construtivos da área rural de Porto Alegre, sem a adoção de algum instrumento de participação popular prévia. O MP requereu liminarmente a suspensão dos efeitos da Lei Complementar 780/2015 e, ao final, a declaração de ilegalidade de todo o processo legislativo.

O município de Porto Alegre argumentou foi assegurada a participação popular no caso em questão, por meio da audiência pública realizada no dia 30 de janeiro de 2014. No entanto, assinalou a juíza em sua decisão, o edital de convocação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente referia-se apenas ao licenciamento ambiental.

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre reconheceu que não houve requerimento para realização de audiência pública ou para o uso da Tribuna Popular. Na avaliação da magistrada, “a participação popular na fase de elaboração do projeto no Poder Executivo não supre a exigência imposta ao Poder Legislativo de realizar audiências ou debates públicos, bem como divulgar as informações que subsidiam o projeto de lei”.

Em função disso, Nadja Mara Zanella apontou a existência de vício material no processo legislativo, deferindo o pedido liminar para suspender a eficácia da Lei Complementar 780, de 20 de novembro de 2015.

Confira abaixo vídeo produzido pelo movimento Preserva Belém Novo sobre a riqueza da biodiversidade da Fazenda do Arado que estaria ameaçada por um megaprojeto habitacional:

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fpreservabelemnovo%2Fvideos%2F586383908187565%2F&show_text=0&width=560

Domingo no Arado Velho, área ameaçada na ponta da orla do Guaíba

Fonte: Jornal Já

Mutirão de limpeza recolheu mais de 150 sacos de lixo / Tânia Meinerz/JÁ

NAIRA HOFMEISTER

Depois de atípicos dias de um novembro invernal, o sol voltou no domingo em Porto Alegre e alegrou a travessia que cerca de 50 remadores fizeram entre o clube náutico de Belém Novo e a Praia do Arado, na margem externa de uma península de terra que, assim como a enorme fazenda à qual pertence, também leva o nome de Arado.

Vagner da Rocha / Foto Tânia Meinerz/JÁ

Vagner da Rocha / Foto Tânia Meinerz/JÁ

Embora convidativa para esportes aquáticos, a manhã clara e quente tornou mais difícil a tarefa de carregar os 105 sacos de lixo recolhidos na areia, objetivo principal da expedição domingueira. “Isso sem contar o que não foi ensacado”, acrescentou o educador físico Vagner da Rocha, promotor da atividade.

Era uma montanha de dejetos, incluindo duas portas de geladeira, uma roda de automóvel com pneu, partes de ventiladores, caixas de bebidas e muitas garrafas pet e fragmentos plásticos. Calçados, garrafas de vidro e algumas latinhas também foram separados e encaminhados a um reciclador do Chapéu do Sol, também no Extremo Sul de Porto Alegre.

Foi o possível de ser feito em pouco mais de uma hora na beira da praia por cerca de 80 voluntários, organizados por Vagner pelas redes sociais. Muitos eram moradores do bairro Belém Novo, uma comunidade habituada ao convívio com o Guaíba e às áreas verdes remanescentes na orla.

Praia do Arado / Tânia Meinerz/JÁ

Praia do Arado, num domingo de sol: beleza, calor e muito lixo / Tânia Meinerz/JÁ

Mas veio gente “da cidade” também – habitantes da região central de Porto Alegre, como Daniel Maciel, representante comercial no Partenon: “Eu não conhecia nada aqui. É um lugar lindo, mas se tentasse explicar com palavras a dimensão do lixo que tem, a agressão à natureza que isso faz, não conseguiria”, lamentou.

Quem não tinha pique para remar, pegou carona na escuna Sabiá, do comandante Kako Pacheco, que além da navegação tranquila e sem esforço, tinha ainda a grande vantagem de contar a bordo com o “índio urbano” Uilbor Xavier.

Uilbor Xavier, um “nativo” do Belém Novo / Foto Tânia Meinerz/JÁ

Nativo de Belém Novo – como ele mesmo faz questão e se apresentar – e profundo conhecedor do ambiente e da memória da região, Uilbor contou como foi que a devoção a uma santa portuguesa acabou dividindo a área em Belém Novo e Belém Velho ainda no século XIX, enumerou as diversas ocupações do local (chegando até os índios Guarani, “uns 800 anos atrás”) e os pequenos tesouros que encontrou em inúmeras expedições à Ponta do Arado ao longo de sua vida.

Em 1969, quando ele tinha quatro anos, por exemplo, foi o descobridor do primeiro machado indígena no local. Atualmente já há trabalhos arqueológicos publicados por pesquisadores, inclusive internacionais, sobre os achados. “A gente veio procurar ouro, mas nos deparamos com esse tesouro inusitado”, brincou.

O negócio de procurar ouro era sério, duas moedas provavelmente cunhadas em Portugal haviam sido encontradas na área, naquela época. “Anos depois a gente achou porcelana portuguesa, taças de cristal, um santo de chumbo. Mandamos tudo para um museu em Minas Gerais”, prosseguiu.

Os artefatos indígenas que recolheu, entretanto, estão guardados em casa. “Quero muito criar um centro cultural aqui para expormos essa parte da história”, concluiu.

Movimento quer preservar a área

Logo no desembarque, já na Ponta do Arado, Uilbor apontou para buracos no solo e fragmentos de uma casquinha branca. “Ovos de tartaruga. Parecem ser daquele tipo ‘tigre’. Coisa de uma semana, no máximo”, apostou.

Durante o recolhimento do lixo, que por limitação de tempo e mão de obra se restringiu às áreas na beira do Guaíba, os vários esqueletos de animais encontrados eram levados ao nativo, que identificava, certeiro: “Esse parece um cachorro”; “Essa cabeça é de veado”; “Esses dentes, de javali. Mas não é bicho daqui, deve ter sido trazido já morto, para ser assado e comido”.

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Muitos entulhos eram grandes demais para serem ensacados / Tânia Meinerz/JÁ

Muitos entulhos eram grandes demais para serem ensacados / Tânia Meinerz/JÁ

Há muito mais fauna no local, incluindo animais em extinção como o gato maracajá ou o bugio ruivo. “Tem lontra, graxaim, capivara. Há banhados que são santuários de espécies como o tachã, uma ave-símbolo do Rio Grande do Sul”, acrescentaram os estudantes de engenharia ambiental Iporã Possanti e Santiago Costa, integrantes do Coletivo Ambiente Crítico.

“Colhereiro, eu tenho até foto para provar”, completou Uilbor.

A preocupação, neste caso, é mostrar a diversidade que o local abriga, já que para a área de 426 hectares (mais que o dobro da Reserva do Lami, também na Zona Sul) está projetada a construção de um condomínio horizontal com 2.300 lotes privados, onde serão erguidas residências e unidades comerciais.

O casarão que foi de Breno Caldas, no morro / Tânia Meinerz/JÁ

O casarão que foi de Breno Caldas, no morro / Tânia Meinerz/JÁ

Como a maior parte do terreno está em áreas baixas (há também o morro do Arado, onde ainda está de pé o casarão que foi morada de Breno Caldas, diretor da Caldas Júnior, dono da rádio e TV Guaíba e doCorreio do Povo, hoje propriedades da Rede Record, da Igreja Universal), será preciso aterrar 116 hectares de área para elevar o solo à cota mínima contra cheias prevista pela Prefeitura.

É outro enrosco porque a área a ser aterrada é constituída por banhados e campos de várzea, terrenos alagáveis “que servem como esponja em caso de cheias, evitando inundações”, alerta o biólogo e fotógrafo Claiton Martins-Ferreira.

Cálculos dos integrantes do Coletivo Ambiente Crítico dão conta de que para tapar esses banhados e várzeas naturais será necessário 1,3 milhão de metros cúbicos de terra. Os guris ainda vão mais longe na crítica: dizem que o empreendedor já revelou que fará essa operação não com areia, como é usual, mas com “resíduos da construção civil”. “É caliça, que será jogada num dos poucos ambientes preservados da orla de Porto Alegre”, lamenta a publicitária Caroline Jacobi, também integrante do grupo ambientalista.

Michele Rodrigues / Tânia Meinerz/JÁ

Michele Rihan: organização gera mudanças / Tânia Meinerz/JÁ

Para manter a área tal qual está, foi criado um ano atrás o movimento Preserva Arado, que mobilizou moradores e técnicos para debater a questão. “Nossa luta é para que seja tornada uma Unidade de Conservação, como é o Parque de Itapuã. A gente tem condições de pressionar o poder público; é da organização da sociedade que nascem as grandes mudanças”, convocou, confiante, uma das lideranças locais, Michele Rihan.

Entre as estratégias do Preserva Arado está a de ampliar a visibilidade do movimento, já bastante difundido entre os habitantes locais. Por isso, na próxima quinta-feira, esse será o tema do tradicional Sarau da Alice (sigla para Agência Livre de Informação, Cidadania e Educação, ong que edita o jornal Boca de Rua, entre outras atividades). O evento acontece no Bar do Marinho, na Sarmento Leite, a partir das 19h30. Não vai ter vista para o Guaíba, mas dá para se refrescar com uma gelada.

Final de um dia de trabalho duro / Tânia Meinerz/JÁ

Final de um dia de trabalho duro / Tânia Meinerz/JÁ

Movimento Preserva Belém Novo – Carta aos vereadores eleitos em Porto Alegre-RS

Carta do Movimento Preserva Belém Novo encaminhada aos vereadores eleitos em Porto Alegre-RS.

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cartaz-informativo5f-031-e1471353251320

Porto Alegre, 18 de outubro de 2016.

Prezado(a) Vereador(a) XXXX.

O Movimento Preserva Belém Novo vem apresentar-se como um grupo de mobilização comunitária socioambiental, de caráter suprapartidário e geograficamente localizado no Bairro Belém Novo – pertencente à Macrozona 8 de Planejamento Urbano do Município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

Contamos com o apoio de diversas entidades representativas da sociedade civil e ambientalistas da cidade de Porto Alegre, além do fundamental apoio do Coletivo Ambiente Crítico, composto por alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, que vem aprofundando nossas discussões e fazendo com que o conhecimento produzido na Universidade Pública de fato galgue as transformações socioambientais que se fazem tão prementes na sociedade brasileira, para além do ambiente universitário.

A comunidade de Belém Novo abriga em seu território uma antiga Fazenda que compreende 426 (quatrocentos e vinte e seis) hectares, uma parcela significativa do território total de Belém Novo. Referimo-nos à Fazenda Arado Velho – uma área de abundante patrimônio cultural, histórico, ambiental e arqueológico. Ainda na Fazenda se encontra um sítio arqueológico de alta relevância cadastrado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN sob o Número RS02265 no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos – CNSA.

Corroborando a importância e representatividade do local, um Grupo de Trabalho da Secretaria Municipal de Cultura realizou um estudo denominado “Sítios Arqueológicos Históricos da Área Rural de Porto Alegre: um patrimônio a ser pesquisado e preservado” (Link para o trabalho completo: https://drive.google.com/file/d/0Bz211uV3v0SMeUdsci15ZkNfeW8/view?usp=sharing). Este estudo contém as seguintes citações, dentre outras:

a) “A Fazenda do Arado é um sítio histórico de grande relevância e único em termos de integridade e autenticidade.”

b) A Fazenda do Arado é um patrimônio especial, tendo em vista que agrega, em um mesmo local, uma diversidade de elementos naturais e culturais que lhe conferem alta significância patrimonial. Estes elementos são ainda permeados pela imaterialidade da história e das memórias, dos saberes e dos fazeres relativos aos processos de vida vinculados ao sítio.”

Recentemente o Conselho Estadual de Cultura elaborou uma Carta de Apoio à Fazenda do Arado que foi encaminhada ao Ministério Público Estadual do Meio Ambiente bem como para a Secretaria Municipal de Cultura, manifestando sua preocupação diante da possibilidade de danos ao patrimônio cultural e arqueológico presentes na área da Fazenda do Arado, no Bairro Belém Novo (Link para a Carta de Apoio: https://drive.google.com/file/d/0Bz211uV3v0SMdjJPMkJNSFBCOXM/view?usp=sharing).

Os documentos supracitados e outros encontram-se disponíveis também no seguinte endereço eletrônico: https://preservaarado.wordpress.com/.

Infelizmente há um projeto privado de empreendimento imobiliário de alto impacto a ser implantado nessa área. Essa iniciativa visa construir condomínios fechados com aproximadamente 2.300 unidades, configurando-se como o maior empreendimento imobiliário em área da cidade. Esse modelo de expansão urbana está em total dissintonia com as Melhores Práticas urbanísticas mundiais propostas pela ONU-HABITAT – Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos: http://urbanoctober.org/downloads/WCD2015_ExecutiveDirectorMessageEnglish.pdf. No entanto, esse modelo de expansão vem atuando no Município de Porto Alegre com tamanha força que conseguiu alterar o Plano Diretor do Município através da Lei Complementar 780/2015 (Lei do Arado) para que seu projeto pudesse tornar-se urbanisticamente legal.

O Movimento Preserva Belém Novo foi então formado – dada a gravidade do impacto que esse empreendimento geraria em nossa comunidade, conhecida como uma pequena cidade do interior na capital do Rio Grande do Sul. A vocação de nosso bairro é de natureza totalmente oposta ao desenvolvimento proposto pela implantação desse mega empreendimento. Analisando a questão de uma forma mais ampla podemos afirmar que a vocação de toda zona sul de Porto Alegre é de fato diferenciada e que essa região vem sofrendo descaracterizações progressivas principalmente nos últimos 10 (dez) anos.

É importante mencionar que nos últimos 13 anos a zona sul de Porto Alegre já perdeu 431 (quatrocentos e trinta e um) hectares de áreas verdes. Nossa comunidade gostaria de poder discutir os modelos de expansão urbana que vem afetando de forma drástica as regiões da zona sul de nossa cidade. Para visualização da magnitude dessa expansão favor acessar: https://youtu.be/CCkB1gYioyI

Caso a urbanização da Fazenda do Arado Velho seja permitida a cidade perderá 276 (duzentos e setenta e seis) hectares de área verde preservada – o que consideramos catastrófico para as futuras gerações.

Acreditamos que a zona sul de Porto Alegre merece receber um olhar diferenciado e sensível do poder público instituído no sentido de garantirmos para nossas futuras gerações uma porção significativa de nosso território como um manancial de cunho ambiental e educativo – uma real cidade do Século XXI que preserva e comunga solidariamente de suas áreas naturais.

Para tanto temos um projeto viável e alternativo ao empreendimento. Propomos a criação de uma Unidade de Conservação de uso público, ou seja, visando preservar as qualidades do território aliando educação, pesquisa, turismo ecológico e lazer, permitindo o acesso da população a este ambiente único e insubstituível.

O Movimento Preserva Belém Novo vem promovendo uma discussão de âmbito cidadão que veio a motivar uma notícia de fato (129000003496201594) perante o Ministério Público Federal e dois inquéritos civis perante o Ministério Público Estadual:

  1. Área de Meio Ambiente (IC-00833.00087/2015);

  2. Área Urbanística (IC-01202.00105/2015).

Estamos todos envolvidos em uma discussão que acreditamos firmemente ser pertinente a toda cidade de Porto Alegre.

Infelizmente o empreendimento e a administração municipal não têm promovido discussões e debates transparentes e de forma ampla com a população de Porto Alegre sobre esse importante tema. No entanto, uma série de trâmites processuais que integram tanto o processo de licenciamento quanto os inquéritos civis está em andamento. Fizemos a tentativa de trazer o debate para a comunidade de Belém Novo através da COSMAM (Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre), mas a mesma não mostrou interesse, uma vez que já agendou e cancelou por 3 (três) vezes a audiência pública solicitada.

O Movimento Preserva Belém Novo está engajado e articulado no sentido de promover valores históricos, culturais, arqueológicos e ambientais dos quais qualquer sociedade necessita para que o espírito de preservação e zelo, que tanto admiramos em outros países, possa também ser despertado em nossa cidade e região.

Nesse sentido cabe ao poder legislativo municipal criar e fiscalizar políticas públicas que conduzam e ordenem a expansão urbana de modo equilibrado e justo. E o mecanismo de base mais eficaz é o zoneamento ecológico da cidade.

Igualmente, a cidade urge pela promoção do acesso ao saneamento básico e fiscalização de ligações irregulares, incentivo à produção de alimentos (em especial livre de agrotóxicos), a preservação da orla do Guaíba e a garantia do seu acesso público, o turismo ecológico e rural, esportes náuticos e atividades que promovam renda sem o inchaço da cidade para a especulação imobiliária.

Esperamos poder contar com seu apoio como cidadão e representante da população na participação e defesa da preservação ambiental da nossa cidade como princípio primordial para seu desenvolvimento.

Estamos à sua disposição para maiores informações, conversas e esclarecimentos através dos contatos:

E-mail: preservabelemnovo@gmail.com

Facebook: www.facebook.com/preservabelemnovo/

Site: www.preservaarado.wordpress.com

Canal Preserva Belém Novo YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCvyqtRgGXe0fH0uzvEJhlIw

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Movimento Preserva Belém Novo – Carta aos candidatos à prefeitura de Porto Alegre-RS

Carta do Movimento Preserva Belém Novo encaminhada aos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre, no segundo turno, Nelson Marchezan Junior e Sebastião de Araújo Melo. 

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Porto Alegre, 18 de outubro de 2016.

Prezado candidato __________________.

O Movimento Preserva Belém Novo vem apresentar-se como um grupo de mobilização comunitária socioambiental, de caráter suprapartidário e geograficamente localizado no Bairro Belém Novo – pertencente à Macrozona 8 de Planejamento Urbano do Município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

Contamos com o apoio de diversas entidades representativas da sociedade civil e ambientalistas da cidade de Porto Alegre, além do fundamental apoio do Coletivo Ambiente Crítico, composto por alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, que vem aprofundando nossas discussões e fazendo com que o conhecimento produzido na Universidade Pública de fato galgue as transformações socioambientais que se fazem tão prementes na sociedade brasileira, para além do ambiente universitário.

A comunidade de Belém Novo abriga em seu território uma antiga Fazenda que compreende 426 (quatrocentos e vinte e seis) hectares, uma parcela significativa do território total de Belém Novo. Referimo-nos à Fazenda Arado Velho – uma área de abundante patrimônio cultural, histórico, ambiental e arqueológico. Ainda na Fazenda se encontra um sítio arqueológico de alta relevância cadastrado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN sob o Número RS02265 no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos – CNSA.

Corroborando a importância e representatividade do local, um Grupo de Trabalho da Secretaria Municipal de Cultura realizou um estudo denominado “Sítios Arqueológicos Históricos da Área Rural de Porto Alegre: um patrimônio a ser pesquisado e preservado” (Link para o trabalho completo: https://drive.google.com/file/d/0Bz211uV3v0SMeUdsci15ZkNfeW8/view?usp=sharing). Este estudo contém as seguintes citações, dentre outras:

a) “A Fazenda do Arado é um sítio histórico de grande relevância e único em termos de integridade e autenticidade.”

b) A Fazenda do Arado é um patrimônio especial, tendo em vista que agrega, em um mesmo local, uma diversidade de elementos naturais e culturais que lhe conferem alta significância patrimonial. Estes elementos são ainda permeados pela imaterialidade da história e das memórias, dos saberes e dos fazeres relativos aos processos de vida vinculados ao sítio.”

Recentemente o Conselho Estadual de Cultura elaborou uma Carta de Apoio à Fazenda do Arado que foi encaminhada ao Ministério Público Estadual do Meio Ambiente bem como para a Secretaria Municipal de Cultura, manifestando sua preocupação diante da possibilidade de danos ao patrimônio cultural e arqueológico presentes na área da Fazenda do Arado, no Bairro Belém Novo (Link para a Carta de Apoio: https://drive.google.com/file/d/0Bz211uV3v0SMdjJPMkJNSFBCOXM/view?usp=sharing).

Os documentos supracitados e outros encontram-se disponíveis também no seguinte endereço eletrônico: https://preservaarado.wordpress.com/.

Infelizmente há um projeto privado de empreendimento imobiliário de alto impacto a ser implantado nessa área. Essa iniciativa visa construir condomínios fechados com aproximadamente 2.300 unidades, configurando-se como o maior empreendimento imobiliário em área da cidade. Esse modelo de expansão urbana está em total dissintonia com as Melhores Práticas urbanísticas mundiais propostas pela ONU-HABITAT – Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos: http://urbanoctober.org/downloads/WCD2015_ExecutiveDirectorMessageEnglish.pdf. No entanto, esse modelo de expansão vem atuando no Município de Porto Alegre com tamanha força que conseguiu alterar o Plano Diretor do Município através da Lei Complementar 780/2015 (Lei do Arado) para que seu projeto pudesse tornar-se urbanisticamente legal.

O Movimento Preserva Belém Novo foi então formado – dada a gravidade do impacto que esse empreendimento geraria em nossa comunidade, conhecida como uma pequena cidade do interior na capital do Rio Grande do Sul. A vocação de nosso bairro é de natureza totalmente oposta ao desenvolvimento proposto pela implantação desse mega empreendimento. Analisando a questão de uma forma mais ampla podemos afirmar que a vocação de toda zona sul de Porto Alegre é de fato diferenciada e que essa região vem sofrendo descaracterizações progressivas principalmente nos últimos 10 (dez) anos.

É importante mencionar que nos últimos 13 anos a zona sul de Porto Alegre já perdeu 431 (quatrocentos e trinta e um) hectares de áreas verdes. Nossa comunidade gostaria de poder discutir os modelos de expansão urbana que vem afetando de forma drástica as regiões da zona sul de nossa cidade. Para visualização da magnitude dessa expansão favor acessar: https://youtu.be/CCkB1gYioyI

Caso a urbanização da Fazenda do Arado Velho seja permitida a cidade perderá 276 (duzentos e setenta e seis) hectares de área verde preservada – o que consideramos catastrófico para as futuras gerações.

Acreditamos que a zona sul de Porto Alegre merece receber um olhar diferenciado e sensível do poder público instituído no sentido de garantirmos para nossas futuras gerações uma porção significativa de nosso território como um manancial de cunho ambiental e educativo – uma real cidade do Século XXI que preserva e comunga solidariamente de suas áreas naturais.

Para tanto temos um projeto viável e alternativo ao empreendimento. Propomos a criação de uma Unidade de Conservação de uso público, ou seja, visando preservar as qualidades do território aliando educação, pesquisa, turismo ecológico e lazer, permitindo o acesso da população a este ambiente único e insubstituível.

O Movimento Preserva Belém Novo vem promovendo uma discussão de âmbito cidadão que veio a motivar uma notícia de fato (129000003496201594) perante o Ministério Público Federal e dois inquéritos civis perante o Ministério Público Estadual:

  1. Área de Meio Ambiente (IC-00833.00087/2015);

  2. Área Urbanística (IC-01202.00105/2015).

Estamos todos envolvidos em uma discussão que acreditamos firmemente ser pertinente a toda cidade de Porto Alegre.

Infelizmente o empreendimento e a administração municipal não têm promovido discussões e debates transparentes e de forma ampla com a população de Porto Alegre sobre esse importante tema. No entanto, uma série de trâmites processuais que integram tanto o processo de licenciamento quanto os inquéritos civis está em andamento. Fizemos a tentativa de trazer o debate para a comunidade de Belém Novo através da COSMAM (Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre), mas a mesma não mostrou interesse, uma vez que já agendou e cancelou por 3 (três) vezes a audiência pública solicitada.

O Movimento Preserva Belém Novo está engajado e articulado no sentido de promover valores históricos, culturais, arqueológicos e ambientais dos quais qualquer sociedade necessita para que o espírito de preservação e zelo, que tanto admiramos em outros países, possa também ser despertado em nossa cidade e região.

Nesse sentido cabe ao poder executivo municipal criar e fiscalizar políticas públicas que conduzam e ordenem a expansão urbana de modo equilibrado e justo. E o mecanismo de base mais eficaz é o zoneamento ecológico da cidade.

Igualmente, a cidade urge pela promoção do acesso ao saneamento básico e fiscalização de ligações irregulares, incentivo à produção de alimentos (em especial livre de agrotóxicos), a preservação da orla do Guaíba e a garantia do seu acesso público, o turismo ecológico e rural, esportes náuticos e atividades que promovam renda sem o inchaço da cidade para a especulação imobiliária.

Esperamos poder contar com seu apoio como cidadão e representante da população na participação e defesa da preservação ambiental da nossa cidade como princípio primordial para seu desenvolvimento.

Estamos à sua disposição para maiores informações, conversas e esclarecimentos através dos contatos:

E-mail: preservabelemnovo@gmail.com

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Site: www.preservaarado.wordpress.com

Canal Preserva Belém Novo YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCvyqtRgGXe0fH0uzvEJhlIw

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