Prefeitura coloca em ‘avaliação’ projeto Territórios Negros, sobre a história afro-brasileira na Capital

Fonte: Sul 21

Desde 2008, projeto levava participantes para pontos da capital que historicamente foram de ocupação negra | Foto: Carris/Divulgação

Fernanda Canofre

Depois de oito anos de trabalho, a gestão de Nelson Marchezan Jr. (PSDB) colocou “sob avaliação” o projeto Territórios Negros – uma linha de ônibus educativa que ensina sobre a história e a presença da cultura negra em Porto Alegre. O projeto, criado em 2008, foi inspirado no trajeto feito pelo poeta Oliveira Silveira, um dos idealizadores do Dia da Consciência Negra no Brasil, e traçava o percurso percorrido pela Cavalgada do Piquete dos Lanceiros Negros Contemporâneos.

A Carris diz que a decisão de reavaliar o projeto não significa que ele esteja cancelado ou suspenso. Segundo a assessoria da empresa, atualmente o projeto não estava funcionando por causa do período de férias. No entanto, não há previsão para seu retorno ou mesmo se será retomado. “Serão reconsiderados o formato e o balanço dos últimos anos do projeto Territórios e dado um encaminhamento para a tomada de ações”, explica a assessoria em nota.

A prefeitura não retornou o contato da reportagem até o fechamento desta matéria, para explicar o porquê da decisão.

No site da Carris, ainda é possível encontrar uma descrição da proposta do projeto: “Trata-se de uma linha de ônibus especial educativa, que oferece aos participantes uma viagem no tempo e na história de Porto Alegre”. No trajeto eram incluídos “pontos históricos de ocupação e constituição da população negra” na Capital, como o Pelourinho, na Igreja Nossa Senhora das Dores, o Largo Zumbi dos Palmares, o Quilombo do Areal da Baronesa, na Cidade Baixa e pontos da antiga Colônia Africana, que abrange hoje os bairros Bom Fim e Rio Branco.

O Laboratório de Ensino de História e Educação (Lhiste) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), lançou uma nota de apoio criticando o cancelamento do projeto. No texto, o grupo destaca que a iniciativa era “inédita no país” e contou com público de 30 mil pessoas durante mais de oito anos de atividades. A maioria dos participantes foram alunos da rede pública de ensino.

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A Lhiste ainda lembra que o percurso é uma forma de “acessar histórias muitas vezes silenciadas e desconhecidas, menorizadas diante da supervalorização da colonização europeia e branca”. “O cancelamento dessa ação educativa sem similar em todo o território nacional é um retrocesso e uma perda sem reparação, (…) Tal medida, por parte da atual gestão municipal da cidade, necessita de denúncia e debate público, pois suscita o desconhecimento acerca da importância de um projeto de amplo alcance e significância e contribui para o silenciamento das histórias dos afro-brasileiros em Porto Alegre”, segue o texto.

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