Movimentos repudiam recomendação da Anvisa sobre como tirar agrotóxicos dos alimentos

Fonte: Brasil de Fato.

Órgão afirma que, para reduzir os resíduos de defensivos, basta lavar a casca do alimento com água e uma escovinha

Rute Pina
Brasil de Fato | São Paulo (SP), 01 de Dezembro de 2016 às 22:08
O morango é um dos alimentos mais contaminados por agrotóxicos  - Créditos: Venilton Küchler/ SESA
O morango é um dos alimentos mais contaminados por agrotóxicos / Venilton Küchler/ SESA

Para diminuir níveis residuais de agrotóxicos, basta que o consumidor lave a casca do alimento com água corrente e uma escovinha ou bucha. Esta foi a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no novo relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), divulgado na última sexta-feira (25).

Foram analisados mais de 12 mil amostras de 25 tipos de alimentos entre 2013 a 2015. O Para também concluiu que há “segurança alimentar aceitável” no Brasil— os dados indicam que apenas 1% dos alimentos analisados representa risco agudo à saúde.

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Entretanto, as entidades que compõem a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos repudiaram, em nota, o novo relatório da agência. Para as organizações, o estudo apresenta “uma clara tentativa de ocultar os problemas causados pelos agrotóxicos no Brasil”.

O professor de Engenharia Agrônoma da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Transgênicos e Agrotóxicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Leonardo Melgarejo, considerou a orientação da agência “assustadora”.

“A maior parte dos venenos agrícolas não é utilizada para matar os insetos e as plantas pelo contato. Eles são produtos sistêmicos que matam através de circulação interna. Nestes casos, não se pode tirar estes produtos lavando a casca”, disse.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também publicou uma nota criticando o estudo. Para o órgão, a orientação para higienização dos alimentos pode causar ao consumidor uma falsa impressão de segurança. “Além disso, sentimos falta da recomendação do consumo de alimentos orgânicos, como já foi feita anteriormente”, disse Mariana Garcia, nutricionista do instituto .

Estudo viesado

O Idec ponderou ainda os resultados foram sistematizando de forma diferente de anos anteriores, o que dificulta a comparação dos dados.

Em 2010, o estudo apontava que em 37% dos alimentos não foram encontrados resíduos de agrotóxicos. Desde então, o consumo de agrotóxicos no Brasil subiu 11%, atingindo 914 mil toneladas em 2014. As intoxicações por defensivos agrícolas notificadas aumentaram em 17%, chegando a 4423 registros em 2014. Mas o novo relatório indica que apenas 1% destes alimentos representa risco agudo à saúde.

Segundo Melgarejo, a Anvisa supervaloriza os problemas agudos quando a maioria dos problemas acarretados pelos agrotóxicos são crônicos. Para ele, os resultados causam “estranheza” e são “surpreendentes”, já que não foram adotadas práticas de diminuição do uso de pesticidas e outras substâncias químicas no País desde o último estudo.

Contraponto

O Ministério da Saúde lançou em setembro um relatório que confirma o uso ostensivo de agrotóxicos no Brasil e aponta que entre 2007 e 2013 houve um aumento desproporcional da comercialização em comparação com a área plantada. Os dados sugerem que houve uma intensificação na aplicação de agrotóxicos na produção e, consequentemente, maior risco de exposição de quem trabalha no campo e da contaminação do meio ambiente, da água e dos alimentos.

“Se não mudaram os métodos, a realidade não mudou, se o volume aplicado [de agrotóxicos] cresceu, como entender essa redução nos resultados identificados?”, questiona o professor. “Se isso fosse um teste em uma universidade, um estudo de campo, nós pediríamos que os testes fossem repetidos”, adicionou.

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos apontou também que o estudo não considerou os herbicidas glifosato e 2,4-D, que correspondem a mais da metade das substâncias usadas nas lavouras brasileiras, de acordo com dados do Ibama de 2014.

Motivações

O docente da UFSC disse que o relatório parece mais “marketing do agronegócio” do que um estudo de “uma equipe responsável por proteger a sociedade contra danos à saúde”, e  teme que episódios como este contribuam para a falta de confiança nas instituições públicas.

“A Anvisa é uma instituição importante. Ela perder credibilidade porque apresenta dados contraditórios com relação à sua história não é algo que nos agrada e não serve aos interesses da sociedade brasileira”, afirmou.

Ele pontua que o episódio está em sincronia com inúmeras peças publicitárias que fazem campanha para excluir negócio da palavra agronegócio, e ocorre também no momento em que tramita o Projeto de Lei (PL) 3200/2015 na Câmara dos Deputados. De autoria de Covatti Filho (PP-RS), o texto pode substituir a palavra “agrotóxico” por “produtos fitossanitários”.

“É uma série de coincidências que procuram beneficiar os interesses do agronegócio, e essa matéria da Anvisa, por gosto ou sem querer, contribui neste sentido”, declarou.

O Idec propõe estimular os modelos alternativos, como a agroecologia e a produção orgânica, como é proposto no Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos, entregue recentemente pela sociedade civil à Câmara dos Deputados.

O Brasil de Fato questionou a agência sobre a metodologia da pesquisa e as críticas feitas pelas entidades. A assessoria de imprensa respondeu apenas que “a metodologia utilizada pela Anvisa é compatível com a de países de todo mundo e segue referência internacionais”.

Dia de Luta Contra os Agrotóxicos

Nesta semana, as entidades realizam debates e atividades em todas as capitais e coordenadas internacionalmente para marcar o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos neste sábado (3). Melgarejo explica que as campanhas pretendem dar visibilidade e conscientização a respeito dos riscos dos agrotóxicos.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, movimentos populares e entidades realizam, nesta sexta-feira (2), um “abraço ao Rio Gravataí”, na região metropolitana de Porto Alegre. O objetivo é chamar atenção para a Área de Preservação Ambiental (APA) Banhado Grande e pedir a prorrogação da medida que veta a pulverização de agrotóxicos em parte da área.

Origem da data

No dia 3 de dezembro de 1984, um acidente industrial de grandes proporções em Bhopal, na Índia, acarretou no vazamento de 40 toneladas de gás tóxico metil isocianato, químico utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, em uma zona densamente povoada. A principal causa do desastre foi negligência com a segurança.

Cerca de 30 mil pessoas morreram, 8 mil nos três primeiros dias. Aproximadamente 560 mil pessoas continuam com sequelas do acidente. Após a tragédia, a data foi estabelecida pela Pesticide Action Network (PAN) como o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

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“SI PENSAMOS EN TÉRMINOS METABÓLICOS, LA CIUDAD NO ES INDEPENDIENTE DE TODAS LAS REDES Y FLUJOS QUE LA SOSTIENEN”: David Harvey.

Fonte: La Linea de Fuego

David Harvey. Foto: Edu León
David Harvey. Foto: Edu León

Redacción Lalineadefuego y el Observatorio del Cambio Rural

24 de octubre 2016

‘’La lucha en San Roque tiene que ver con la preservación de la historia cultural de la población indígena, por la defensa de sus formas culturales’’.

David Harvey, no solo es distinguido profesor de Antropología , sino al mismo tiempo probablemente el geógrafo académicomarxista más citado del mundo.

Gracias a sus aportes en temas como el derecho a la ciudad y su cercanía a las organizaciones del  Mercado de San Roque, en el contexto de Hábitat III Harvey conversó con OCARU y Lalineadefuego respecto al papel de los mercados populares y la Soberanía Alimentaria en las ciudades.

¿Qué debemos entender cuando nos referimos al Metabolismo Social en las ciudades?

Uno no debe acercarse al tema de la ciudad en términos mecánicos. Tenemos que pensarla orgánicamente. Es necesario verla como algo que está en crecimiento, como algo ‘vivo’’, donde los  habitantes la cambian constantemente, donde los flujos de energía, de agua y comida son elementos que sostienen su  vida diaria. Pero eso no es todo. Además de estos elementos materiales, es necesario tomar en cuenta los flujos de dinero, de poder, de influencia. Debemos preguntarnos: ¿quiénes son los que controlan las llaves de los flujos dinero y poder? ¿qué sectores de la ciudad reciben servicios públicos adecuados y qué sectores reciben malos servicios?

Otro factor para tomar en cuenta es la vida cultural en las calles y cómo esta varía de un sector a otro. Lo interesante  es que a veces son los sectores que tienen menos servicios públicos, los que tienen más vida en las calles. Y en este sentido, muchas veces encuentro proyectos de la llamada ‘regeneración urbana’ que desde mi punto de vista no lo son, y que en realidad representan  procesos de degeneración urbana. En  muchos casos la gentrificación provoca transformaciones culturales negativos.

Cuando se refiere al derecho a la ciudad, ¿cómo  incluye a los campesinos e indígenas que habitan  las ciudades?

Yo no veo el derecho a la ciudad como algo que tiene que ver con un territorio definido. Si pensamos en términos metabólicos, la ciudad no es independiente de todas las redes y flujos que la sostienen. Por ejemplo, el Mercado de San Roque es un lugar en el cual el campo se encuentra dentro de la ciudad, en donde hay flujos migratorios a partir de los cuales la gente regresa al campo y luego vuelve a la ciudad. Por tanto, el derecho a la ciudad debe pensarse como un derecho político. Debe servir para cambiar el entorno en el cual se vive, con los recursos para transformar la vida, para mejorarla y, en particular, para que ese derecho pertenezca a la gente que menos tiene. Desafortunadamente, todos reclaman el derecho a la ciudad: los ricos, los financistas, los empresarios y los constructores buscan construir cosas disparatadas.

En Quito, me enteré de algunos proyectos que, por ejemplo, proponían desalojar a todos los indígenas del centro histórico. Es decir que hay una lucha y el derecho a la ciudad supone el derecho de los que menos tiene de luchar por mejorar su vida dentro de la ciudad. La lucha en San Roque, por ejemplo, tiene que ver con la preservación de la historia cultural de la población indígena, por la defensa de sus formas culturales. Es por eso que si bien yo aún utilizo el término Derecho a la Ciudad, estoy consciente de que en estos días la ONU se ha apropiado del término.

Lo que usted menciona nos refiere a una lucha por la ciudad entre diferentes sectores sociales, específicamente en el caso de los mercados populares. ¿Cuáles son los conflictos sociales y políticos que enfrentan quienes están luchando por la defensa de los mercados?

No existe movimiento social alguno que no mire hacia diversas direcciones, de maneras distintas y donde no existen luchas por el poder. De acuerdo con mi experiencia de los movimientos sociales, hay mucha fracción. La gente de los mercados trabaja mejor cuando está unida, pero siempre existen aspectos que los separan, independientemente de las presiones externas. Pero no creo que el conflicto sea algo malo. Es una parte muy importante de las pasiones de la gente comprometida pero, a veces, puede producir rupturas. Sin embargo, de esto se trata la vida.

 Hay gente que prefiere los supermercados a los mercados populares como San Roque porque ofrecen mejores condiciones, ¿Qué tipo de alternativas hay frente a los supermercados? ¿Las cooperativas, por ejemplo?

Depende del equilibrio de fuerzas, de que sí realmente quieran movilizarse dentro o fuera de los mercados. Pero estoy de acuerdo en que la gente de los mercados debe tener  cuidado cuando se presentan a la gente que va a comprar.  Si quieren competir con los supermercados, tal vez, tendrían que abrir todo el día porque existe mucha gente que hace sus compras en la noche. Tal vez sería buena idea tomar una parte del mercado de San Roque para convertirla en un centro de acopio y distribución que funcione las 24 horas. Entonces, el cooperativismo podría funcionar si es que hay gente que está interesada en hacerlo funcionar, se puede, pero ahí viene la pregunta acerca de si hay o no gente que quiere tomar esa ruta. En la actualidad hay diversas organizaciones adentro y afuera del mercado que, aparentemente, no siempre están de acuerdo las unas con las otras. Entonces esto es parte del problema, la organización interna.

Respecto a la producción y distribución de alimentos, el panorama está dominado por cadenas globales alimenticias  que controlan la exportación y las redes de comercialización, delegando cada vez más el cultivo a los pequeños y medianos productores locales que terminan asumiendo  todos los riesgos de la producción. ¿De qué se tratan en realidad estas cadenas? ¿Qué sucede en términos de la renta y el precio de la tierra? ¿Qué hacer para salvaguardar a los pequeños y medianos productores desde las políticas públicas?

Creo que es un asunto de poder, de lograr poner en práctica las ideas frente a un bloque económico con intereses muy fuertes. En relación a lo que sucede respecto al precio de la tierra, en Argentina por ejemplo el precio de la tierra se ha incrementado dramáticamente debido a las políticas agrarias. No estoy al tanto de lo que pasa acá pero sospecho que el precio está aumentando,

Al mismo tiempo, estas grandes corporaciones de comercialización tienen contratos con la gente que les proveen y el resultado es que hay una cantidad enorme de desperdicios porque en los supermercados solo aceptan cierta calidad y cantidad; por ejemplo, si los limones tienen pequeñas manchas, no van a aceptarlos. Hay algunos estudios en EE.UU. que dicen que hasta el 40% de los alimentos son desperdiciados.

Existe la propuesta de obligar a los supermercados a dedicar una parte de su espacio a la venta de  productos que no están en perfectas condiciones. La idea es buena. Sería una fuente de comida para la gente que menos tiene y  una innovación como ésta podría ser importante en un país como EE.UU.,  donde el 30% de los niños padecen malnutrición.

Pienso también que sería bueno que el Estado tenga un sistema de seguros para cubrir los riesgos de los pequeños productores ya que estos están asumiendo todos los riesgos. Muchos de los pequeños productores no cuentan con suficiente dinero para pagar un seguro y estos problemas se han de resolver; el Estado debería ayudar en ese sentido.

¿Por qué estas temáticas no son de interés para el debate sobre la ciudad en Hábitat III? 

Creo que la primera reunión de Hábitat fue más o menos interesante pero ahora se ha degenerado en una organización de mercadeo que está dominada por principios políticos neoliberales;  no creo que estén discutiendo nada significativo aquí en Quito. Se trata solamente de algunas empresas que venden su software de ‘Smart Cities’ o sistemas teleféricos etc. etc.  El espacio se ha degenerado. Es increíblemente aburrido.

Ahora que mencionas que Hábitat está dominado por principios neoliberales, si uno mira el panorama nacional y regional luego del paso de los llamados “gobiernos progresistas”, pareciera que, en efecto, no hay alternativa al neoliberalismo, que nos enfrentamos a un escenario en el que solo podemos elegir entre el neoliberalismo salvaje y el de “rostro humano”,  ¿Qué piensas sobre esto?

Parte del problema de los gobiernos progresistas en América Latina fue que, desde el principio, no desafiaron a los centros principales del poder; entonces, estos centros de poder tienden a regresar y volver a tomar las riendas. El segundo punto es que dichos gobiernos vivieron un período en el que fueron razonablemente  ricos debido a los altos precios de las commodities. Esta riqueza la gastaron en redistribución pero no tuvieron fondos de reserva para ayudarles a sobrellevar períodos de precios bajos y los embates de la derecha. Entonces, ahora están en un período en el que los precios de las commodities están a la baja, la economía en crisis y  la derecha aprovecha para buscar su oportunidad. Sin embargo, no creo que esto implique el fin de la izquierda. Creo que la velocidad con la que actualmente se mueven Macri y Temer sugiere que ellos saben que no van a estar en el poder por mucho tiempo.

Por tanto, la Izquierda tiene un buen momento para reflexionar sobre lo que estaba haciendo durante los últimos 10 años, para pensar en la próxima vez que llegue al poder, en cómo va a manejar la economía y en cómo va a desafiar a los centros de poder. En 5 años veremos un resurgimiento de la izquierda; en parte porque la solución neoliberal no soluciona nada. La solución neoliberal simplemente incrementa las desigualdades y produce daños al medio ambiente. Mucha gente ha visto durante los últimos 5 años que sí hay alternativas, y están dispuestos a desarrollar un movimiento político a partir de dichas líneas de acción.

Traducción, Gerard Coffey. Revisión de texto, Karla Encalada.