A cultura contra o atraso (Manifesto da área da Cultura)

Fonte: Sul21

A cultura e os saberes são os nossos maiores valores

Somos artistas, técnicos, produtores, professores, comunicadores, conselheiros, pesquisadores, ex-conselheiros e gestores da cultura do Estado do Rio Grande do Sul. Reunimos vários coletivos culturais e diversos representantes das artes plásticas, da música, da poesia, do teatro, do cinema, do audiovisual, da dança, do circo, da arquitetura, da literatura, do design e da pesquisa acadêmica.

Entendemos que, em função das medidas anunciadas neste final de ano pelo governo estadual, as atividades artísticas, culturais e de geração de conhecimento do nosso estado estão sob grave ameaça. A extinção das Fundações dedicadas à cultura, à pesquisa e à comunicação, que prestam serviços da mais alta relevância à sociedade, colocam em risco o presente e o futuro de várias gerações. Estamos preocupados com o desenvolvimento humano e a identidade coletiva da sociedade gaúcha, que se constituiu por meio da diversidade cultural, pois sabemos que toda vez que a cultura é desprezada a barbárie se instaura.

Na área da cultura, por exemplo, a proposta de fundir a SEDAC com as pastas do turismo e do esporte representa um enorme retrocesso. Mas já houve uma significativa diminuição das verbas destinadas ao Fundo de Apoio à Cultura – FAC, excluindo da Lei anual que fixa o teto de renúncia via Sistema Pró-cultura R$ 6 milhões de reais conquistados desde 2013 – valor que atendia às Ações Especiais, uma conquista dos artistas e trabalhadores da cultura quando da aprovação da Lei 13.490/2010. Os editais de 2015 e 2016 do Fundo de Apoio à Cultura – FAC diminuíram no total e nos valores destinados aos projetos individuais, enquanto que a arrecadação ao FAC, via contrapartida, foi bem maior do que o valor disponibilizado aos projetos.

O resultado desse desinvestimento é o abandono da Casa de Cultura Mário Quintana e do Memorial do Rio Grande do Sul. O Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e a Usina das Artes, por exemplo, assim como diversos espaços existentes nos municípios do interior do estado já estão enfrentando uma verdadeira calamidade cultural por seguirem essa mesma política do governo estadual.

A proibição da continuidade e fechamento do Condomínio Cênico do HPSP também simboliza o conjunto de ataques que a área da cultura vem sofrendo, assim como foi o fechamento do Centro Cenotécnico, que abraçou tantas produções artísticas do estado.

A TVE RS e a FM Cultura cumprem um papel central de divulgação e reconhecimento da diversidade cultural do nosso povo. Enquanto as emissoras privadas atendem aos interesses, sobretudo comerciais, as emissoras públicas garantem um importante espaço para as nossas expressões, eventos e manifestações artísticas e culturais. Sobretudo, os municípios do interior dependem em grande escala desses veículos públicos para a difusão das suas atividades e eventos. Pois é nessas emissoras que todos os segmentos artísticos e culturais da capital e do interior, populares e eruditos, encontram um espaço para expor os seus trabalhos, ideias e reflexões.

Nessas emissoras públicas também é possível por em prática um jornalismo reflexivo e aprofundado, cada vez mais raro em nossos dias. Além do mais, a Fundação Piratini possui um enorme acervo cultural e registro da memória do estado do Rio Grande do Sul, único, insubstituível e de valor incalculável, cujo destino é no mínimo temerário a se confirmar a sua extinção. Para nós, está claro que os serviços prestados pela TVE RS e FM Cultura têm um valor incalculável e que as suas grades de programações são insubstituíveis.

A interdição do Condomínio Cênico do HPSP é outro exemplo que revela o desconhecimento do valor do trabalho de diferentes grupos de teatro na mais antiga ocupação cultural do estado, sendo referência no país por 16 anos de construção da resistência de um povo, de forma inclusiva e descentralizada, e por ser um dos poucos polos de cultura na periferia da cidade de Porto Alegre. Além do valor imaterial gerado por milhares de atividades realizadas pelos grupos, reconhecidas nacional e internacionalmente, há também o valor material que deve ser ressaltado: as boas condições em que os prédios tombados como patrimônio histórico se encontram. Queremos que se cumpra a legalidade disponibilizando os espaços ociosos do estado, conforme preconiza o plano estadual de cultura promulgado por unanimidade pelo parlamento gaúcho em 2015.

A CORAG, além de repassar o seu lucro para os cofres do Estado, é a principal parceira do Instituto Estadual do Livro e das prefeituras do interior nas suas publicações ao longo da história. Portanto, acabar com a CORAG também é atingir a produção cultural do Rio Grande do Sul.

Por esses e muitos outros motivos, entendemos que o pacote de cortes proposto pelo atual governo estadual não reconhece a cultura, a arte, a pesquisa e a memória como essenciais para o desenvolvimento social, econômico e político do estado do Rio Grande do Sul. Além do mais, este pacote do atraso fere a dignidade dos trabalhadores da área da cultura e prejudica o sustento de suas famílias.

Neste sentido, nos dirigimos ao povo rio-grandense, aos governantes e aos deputados estaduais do Estado do Rio Grande do Sul, e reivindicamos:

— Pela manutenção da SEDAC RS.

— Pela manutenção da Fundação Cultural Piratini e o funcionamento da TVE RS e da FM Cultura.

— Pela manutenção do Condomínio Cênico do HPSP e dos espaços destinados à cultura no Estado do Rio Grande do Sul.

— Pela manutenção das Fundações de Cultura e Pesquisa: Fundação de Ciência e Tecnologia(Cientec); Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH); Fundação de Economia e Estatística (FEE); Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro); Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps); Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF); Fundação de Zoobotânica (FZB) e Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).

A Constituição brasileira, no seu parágrafo 3º do artigo 215, destaca os direitos culturais regionais, ao afirmar que “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. […] A defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro […] A produção, promoção e difusão de bens culturais; […] A democratização do acesso aos bens de cultura. […] A valorização da diversidade étnica e regional”. Já a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais da Unesco, de 2005, da qual o Brasil faz parte, afirma que “De acordo com a Carta das Nações Unidas e com os princípios do direito internacional, os Estados têm o direito soberano de adotar medidas e políticas para a proteção e promoção da diversidade das expressões culturais em seus respectivos territórios. […] A diversidade cultural cria um mundo rico e variado que aumenta a gama de possibilidades e nutre as capacidades e valores humanos, constituindo, assim, um dos principais motores do desenvolvimento sustentável das comunidades, povos e nações […] Existe a necessidade de incorporar a cultura como elemento estratégico das políticas de desenvolvimento nacionais e internacionais, bem como da cooperação internacional para o desenvolvimento, e tendo igualmente em conta a Declaração do Milênio das Nações Unidas (2000), com sua ênfase na erradicação da pobreza. […] A necessidade de adotar medidas para proteger a diversidade das expressões culturais incluindo seus conteúdos, especialmente nas situações em que expressões culturais possam estar ameaçadas de extinção ou de grave deterioração”.

Dezembro de 2016

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Assinam este manifesto (aberto para novas adesões):

Adriana Gonçalves Ferreira – Diretora de cinema – Bagé

Adriane Azevedo – Diretora de Produção

Adriano Roman – Ator, produtor e maquiador

Adroaldo Bauer Corrêa – Escritor e jornalista

Alberto Vermelho – Empresário, ator e bonequeiro

Alencar Porto – Gestor cultural e professor – Jaguarão

Alessandra Carvalho – Atriz e produtora (Povo da Rua Teatro de Grupo)

Alexandra Eckert – Artista visual, professora e ex-conselheira de Cultura

Alexandre César Moraes – Arquiteto e músico

Aline Aver Vanin – Professora

Aline Callegaro de Paula Bueno – Mestranda em Design Estratégico Unisinos, gestora cultural

Aline Job – Agente cultural

Alissa Gottfried – Artista e educadora popular (Ecoaecoa Coletivo)

Alpheu Godinho – Cineasta e escritor

Álvaro Santi – Poeta e músico

Amaro Abreu – Artista visual

Ana Albani de Carvalho – Historiadora da arte, curadora e professora IA UFRGS

Ana Boff de Godoy – Professora UFCSPA

Ana Carolina Pinheiro – Escritora e produtora cultural

Ana Cecilia de Carvalho Reckziegel – Atriz do UTA e professora de Teatro Dad/Ufrgs

Ana Flávia Baldisserotto – Artista visual, Coordenadora do coletivo A carroça, instrutora de Artes Plásticas do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre

Ana Lucia Lombardi – Produtora

Ananda Ferlauto – Fotógrafa

Anderson Moreira Sales – Ator

André Martinez – Pesquisador

Andrea Franco – Coreógrafa e bailarina

Andréa Lima – Professora de Artes e Gestora Cultural – Jaguarão

Anelisa Teles – Figurinista

Angel D’Lebed – Produtora cultural

Angélica Segui – Produtora cultural e jornalista

Antonia Chaves Barcellos Wallig – Arte-educadora e gestora cultural

Antonio David Cattani – Professor Titular de Sociologia/UFRGS

Antonio Osório da Rocha – Iluminador cênico

Aracy Graça Ernst – Professora

Arlete Cunha – Atriz

Auta Inês Luca d’Oliveira – Coordenadora da Associação Gaúcha de Arte-Educação, diretora de Teatro e professora

Barbara Maisonnave Arisi – Antropóloga e professora universitária UNILA

Bebeto Alves – Músico, cantor e compositor

Berenice Rodrigues- Arquiteta e urbanista

Betta Fernandez – Fotógrafa

Bibiana Mandagará – Produtora Audiovisual, Radialista e Conselheira Estadual de Cultura

Breno Serafini – escritor

Bruna Immich – Produtora, iluminadora e atriz, Grupo Trilho de Teatro Popular

Bruno Polidoro – Diretor de fotografia

Caio Martinez – Músico

Camila Gonzatto – Roteirista

Carla Cassapo – Atriz

Carlise Scalamato – Professora/UFSM

Carlos Cunha Filho – Ator e diretor

Carlos Gustavo Tenius –Escultor, professor do Instituto de Artes UFRGS

Carol Martins – Atriz e performer

Carolina Garcia – Atriz e produtora cultural

Carolina Pohlmann de Oliveira – Atriz

Caroline Falero – Atriz Grupo Trilho de Teatro Popular

Caroline Heck – Historiadora e servidora da UFRGS

Carolinne Caramão – Cantora, compositora, terapeuta holística

CEC RS e CMC Porto Alegre

Celina Alcantara – Atriz do UTA e professora de Teatro Dad/Ufrgs

Celina Cristina Verdum Cabrales – Professora

Celso Zanini – Músico e ator

Chris Ramirez – Produtora cultural

Cibele Donato – Atriz

Cícero Alvarez – Arquiteto, presidente Federação Nacional dos Arquitetos e ex-conselheiro do Conselho Estadual de Cultura RS

Cida Moreira – Cantora

Clairton Rosado – Doutorando em Música/UFRGS

Clarice Muller – Escritora

Claudete Maria Sbardelotto – Professora

Claudia Regina da Silva – Educadora, jornalista e arteterapeuta

Claudia Sbardelotto – Funcionária publica

Claudinho Pereira – Dj , produtor cultural e cineasta

Cláudio Levitan – Músico, compositor, arquiteto, escritor

Claudio Sander – Músico

Cleber Menezes – Diretor, Coreógrafo e locutor

Clô Barcellos – Designer e editora

Clotilde Sbardelotto – Designer editorial

Clóvis D Massa – Professor de Teatro Dad/Ufrgs

Cris Kessler – Atriz e locutora

Cristiano Laerton Goldschmidt – Professor UERGS e UNIASSELVI

Cristine Lima Zancani – Professora

Daisy Viola de Souza – Artista visual, pintora, intrutora de artes plásticas do Atelier Livre da prefeitura de Porto Alegre

Dani Rauen – Cantora

Daniel Christian – Músico

Daniel Dode – Montador e supervisor de pós-produção cinematográfica

Daniel Fraga de Castro – Professor e diretor teatral

Daniel Furtado – Ator, diretor e professor de teatro

Daniel Furtado – Ator, diretor e professor de teatro

Daniel Gustavo – Grupo Trilho de Teatro Popular

Daniela Távora – Artista visual

Daniele Zill – Bailarina, diretora e produtora da Companhia de dança flamenca Del Puerto

Davi Boaventura – Escritor

Deborah Finocchiaro – Atriz

Decio Antunes – Dramaturgo e encenador

Decio Presser – Galerista e jornalista

Dedé Ribeiro – Produtora e dramaturga

Denis Cruz – Ator e cuidador social (Povo da Rua Teatro de Grupo)

Dênis Moreira –  Empresário, ator e bonequeiro

Denise Viana Pereira – Gestora Cultural

Denisson Beretta Gargione – Ator Companhia KHAOS Cênica – Canoas/RS

Desirée Pessoa – Diretora e atriz/performer

Diego Petrarca – Escritor e professor de Literatura

Dinorah Araújo – atriz, jornalista e produtora cultural

Drigo Tavares – Produtor Audiovisual

Éder Rosa – Ator e acrobata

Edgar Vasques- Artista gráfico, ex-conselheiro do CEC, ex-delegado à Câmara Setorial das Artes Visuais do MINC

Edilaine Machado Ricardo – Atriz do UTA e professora de Teatro

Edimar Blazina – Jornalista

Edson Gandolfi – Diretor e roteirista

Eduardo Cabeda – Roteirista e diretor

Eduardo Schmidt – Ator e músico, Santo Qoletivo

Eleonora Maria Lampert Fabre Miranda – Artista visual, arquiteta, escultora, instrutora de artes plásticas do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre

Elisa Heidrich – Atriz, Grupo Cerco e Depósito de Teatro

Elisabeth Bado – Bonequeira Teatro de animação na Serra Gaúcha

Elojac – Músico

Élvio Vargas – Poeta

Enid Backes – Socióloga

Ercília Ana Cazarin – Professora

Ernesto Fagundes – Músico

Esdras Bedai – Músico

Estela Galmarino – Historiadora

Fabiane Tejada da Silveira – Professora do centro de artes da Ufpel

Fábio Castilhos – Ator

Fábio Cunha – Ator e presidente do SATED-RS

Fábio Rangel – Ator

Fabricio de Albuquerque Sortica – Diretor de cinema, ex-Conselheiro do Conselho Estadual de Cultura RS

Fabrício Simões Machado – Iiluminador e fotógrafo.

Felipe Azevedo – Músico, produtor cultural e educador musical

Felipe Fiorenza Nunes – Ator e educador popular (Povo da Rua Teatro de Grupo e Ecoaecoa Coletivo)

Fernanda Fernandes – Atriz e professora

Fernanda Lenzi – Artista visual

Fernando Corona – Músico

Fernando Costa – Operador cinematográfico

Franciele Machado de Aguiar – Atriz

Frederico Pinto – Diretor e roteirista

Frederico Restori – Ator e montador cinematográfico

Frederico Ruas – Cineasta

Frinéia Zamin – Historiadora

Gabriela Boccardi Mendes – Atriz

Gabriela Chaves – Atriz, cantora e performer

Gabriela Greco – Atriz e professora de teatro

Gabriela Maia – Bailarina

Giba Assis Brasil – Cineasta e professor

Gilberto Herschdorfer – Produtor cinematográfico / conselheiro estadual de cultura

Gilberto Icle – Ator, diretor do UTA e professor de Teatro Faced/Ufrgs

Gina O’Donnell – Produtora

Giovani Borba – Produtor cultural de Porto Alegre

Giovanna Zottis – Atriz

Giovanni Berti – Músico

Gisela Habeyche – Atriz e professora de Teatro Dad/Ufrgs

Glaci Borges Borges – Jornalista e Produtora da Fundação Ecarta

Glaci Braga – Produtora cultural

Graça Craidy – Artista plástica

Graziela de Castro Saraiva – Atriz-bonequeira

Guilherme Cassel – Escritor

Guilherme Castro – Cineasta

Hamilton Braga – Gestor Cultural e professor, ex-Conselheiro Estadual de Cultura e ex-Conselheiro e Vice-Presidente do Conselho Estadual de Educação

Helena Kanaan – Artista plástica e professora UFRGS

Heloisa Helena Salazar Peres – Artista da dança, produtora cultural, ex presidente da ASGADAN, do

Henrique Martins Veber – Artista e Editor – Entreverbo – Secretário Colegiado Setorial Livro, Leitura e Literatura Canoas/RS

Ian Ramil – Músico

Inês A Marocco – Professora, pesquisadora e diretora teatral, Grupo Cerco

Isandria Fermiano – Atriz e diretora de teatro, artista de rua, integrante do Grupo Cerco

Ismael Caneppele – Escritor e documentarista

Ivania Kunzler – Artista

Jacqueline Custódio – Ex-conselheira do CEC, coordenadora do Colegiado Setorial Regional da Memória e Patrimônio e titular do Colegiado Setorial Nacional do Patrimônio Material

Jaime Rodrigues – Urbanista e historiador

Janaína Falcão – Artista visual

Janaína Nazzari Gomes – Professora de francês, membro do Conselho de administração do Centre de la francophonie des Amériques

Jards Macalé – Músico

Jéferson Assumção – Escritor

Jeferson de Oliveira Cabral – Ator

Jéssica Balbuena – Produtora e Produtora Executiva

João França –  Ator e locutor

João Pedro Decarli – Ator Companhia KHAOS Cênica

Joel Fraga – Consultor de previdência

Jorge Evangelista – Arquiteto e Urbanista

José Adão Barbosa – Ator e professor

José Antônio Silva – Jornalista, poeta e escritor

José Newton Ribeiro Canabarro – Professor de artes aposentado, ator de teatro, cinema e roteirista – Santana do Livramento

José Reis – Cientista político e funcionário público

José Renato de O. Barcelos – Advogado mestre em Direito Público

Juan Gabriel Dias – Ator Companhia KHAOS Cênica

Jussara Dutra – Psicóloga e Gastrônoma

Karine Paz – Atriz e diretora teatral

Karrah – Técnico em Espetáculos na PMPA

Kátia Costa – Artista visual Associação Chico Lisboa e Atelier de Arte Plano B

Kayan Mostardeiro – Palhaço e ator grupo TIA

Kayan Vieira Mostardeiro – Ator palhaçaria do grupo Circo Enquanto tiver Amor – Membro do Colegiado setorial do Teatro e Circo Canoas/RS

Kiko Ferraz – Produtor de som

Laura Backes – Professora e artista

Lauren Hartz Rosa – Atriz Companhia KHAOS Cênica – Canoas/RS

Leandro Dóro – Cartunista e jornalista

Lélia Almeida – Escritora

Leniza Vieira Coelho – Professora, artista plástica, arquiteta e urbanista – Santana do Livramento

Leo Peralte – Ator e performer

Leonardo Melgarejo – Engenheiro Agrícola, doutor em engenharia e presidente da AGAPAN

Letícia de Cássia – Gestora cultural e professora

Leticia Kleemann Kruze – Atriz

Letícia Korpalski Dornelles – Maquiadora

Lidia Fabricio – Arquiteta e artista plástica

Lisiane Cohen – Diretora

Lívia Biasotto – Administradora, produtora cultural e mestranda PROPUR-UFRGS

Lívia Perrone Pires – Atriz e produtora cultural

Loíze Aurélio – Assessoria de Comunicação da UBM RS

Lucas Jaskulski Luz – Produtor cultural

Lucas Levitan – Ilustrador

Lucas Strey – Escultor e Conselheiro Estadual de Cultura

Luciana Delacroix – Criadora e produtora visual

Luciane Cabeda – Educadora musical

Luciano Fedozzi – Sociólogo, professor UFRGS

Luciano Fernandes – Ator, circense, presidente da casa do artista, diretor de circo do SATED e Conselho Estadual de Cultura

Luciano Wieser – Diretor e ator Grupo de teatro De Pernas pro Ar – Colegiado Setorial de Teatro e Circo de Canoas/RS – Rede Brasileira de Teatro de Rua

Lucimar Fatima Siqueira – Geógrafa, Doutoranda em Planejamento Urbano e Regional UFRGS e membro da equipe do Observatório das Metrópoles (Porto Alegre)

Luis Antonio Gomes – Editor

Luís Mauro Vianna – Músico

Luise Bressolin Produtora – Diretora, empresária e videomaker

Luiz Alberto Cassol – Cineasta e cineclubista

Luiz Eduardo Achutti – Fotógrafo e professor do Instituto de Artes UFRGS

Luiz Paulo Vasconcellos – Ator, diretor e professor

Luiz Silveira – Jornalista

Lurdes Eloy – Atriz

Luzia Ainhoren – Atriz

Maíra Coelho – Diretora de arte em audiovisual e teatro

Manoela Wunderlich – Atriz e produtora, Grupo Cerco

Manuela Albrecht – Atriz e performer

Marcelo Militão – Palhaço ator e fundador do grupo TIA Mariana Abreu Palhaça atriz e produtora no grupo TIA

Marcelo Peixe – Motion designer

Marcelo Restori – Diretor de teatro e cineasta

Márcio Lorek – Produtor multimídia

Marco Nedeff – Fotógrafo

Marcos Borba – Jornalista

Marga Ferreira – Iluminadora

Maria Aparecida Herok – Gestora cultural

Maria Cristina Leandro Ferreira – Professora

Maria Luci leite – Professora e coordenadora do Colegiado setorial Livro, Leitura e literatura de Canoas/RS

Marina Kerber – Artista audiovisual

Mário Ferrolho – Músico e palhaço no grupo TIA

Mário Henrique Abreu – Ator Grupo TIA de teatro; Músico e Presidente da Associação dos Integrantes de Bandas Independentes de Canoas

Mario Pirata – Poeta, músico

Marlova Aseff – Tradutora e pesquisadora

Martina Fröhlich – Atriz Grupo Cerco e Bloco da Laje

Mateus Ceni de Oliveira – Coordenador do Instituto Cadê Zumbi?

Mateus Salviano – Generalista 3D

Miguel da Costa Franco – Roteirista e escritor

Mimmo Ferreira – Percussionista, compositor, educador social, livre pesquisador

Miriam Galbinsky Tolpolar – Artista visual, gravadora diretora do Atelier Livre da prefeitura de Porto Alegre

Mônica Zielinsky – Historiadora da arte, curadora, professora do Instituto de Artes UFRGS

Nelly Debastiani- Atriz coordenadora do colegiado setorial de Artes visuais de Canoas/RS

Nelson Coelho de Castro – Músico e compositor

Nelson Roberto Haas – Teatro de animação na Serra Gaúcha

Nereo Mendes – Assistente de produção cultural – Santana do Livramento

Néstor Monasterio – Ator e diretor de teatro

Nize Dutra – Atriz e performer

Pablo Corroche – Professor e ator

Paula Mastroberti – Professora do Instituto de Artes da UFRGS, artista gráfica e escritora

Paula Martins – Diretora, roteirista e produtora audiovisual

Paulo Balardim – Professor Curso de Licenciatura em Teatro e do Programa de Pós-Graduação em Teatro da Udesc-Universidade do Estado de Santa Catarina

Paulo César Teixeira – Escritor e jornalista

Paulo Gaiger – Músico e professor, Coordenador Projeto de Pesquisa Gênero e Teatro Universidade Federal de Pelotas – UFPel

Paulo Roberto Farias – Ator, Grupo Oigale e ATO Cia. Cênica

Paulo Tedesco – Consultor editorial e escritor

Pedro de Lima Marques – Cineasta

Pedro Luiz Coelho Araujo – Gestor Cultural, músico, compositor, Coordenador da Associação Amigos do Patrimônio Histórico de Sant’Ana do Livramento – RS

Pedro Vasconcellos – Gestor cultural Agência Mobilis

Philipe Philippsen – Ator, músico e artista de rua, integrante do Grupo Cerco

Pitti Sgarbi – Atriz

Priscila Guerra – Produtora de cinema

Rafael Geber Andreazza – Produtor audiovisual – Pelotas

Rafael Guimaraens- Escritor e jornalista

Rafael Martins Trombetta – Administrador

Rafael Passos – Arquiteto e urbanista

Rafael Roso Berlezi – Músico e artista visual

Ramon Ortiz de Souza – Ator, comediante, malabarista – NECITRA

Raphaela Donaduce Flores – Jornalista. Assessora de imprensa da área da cultura. Sócia da Dona Flor Comunicação

Raquel Durigon – Atriz Grupo de teatro De Pernas pro Ar – Colegiado Setorial de Teatro e Circo de Canoas/RS – Rede Brasileira de Teatro de Rua

Raul Ellwanger – Compositor e ativista de Direitos Humanos

Regius Brandão – Ator, diretor e produtor

Rejane Zilles – Cineasta

Renata de Lélis – Atriz, bailarina, professora e produtora cultural

Ricardo Almeida – Gestor de projetos e militante do movimento Fronteiras Culturais

Ricardo Bordin – Professor e músico

Ricardo Freitas – Secretário de Cultura de Rio Grande/RS

Ricardo Rabeno – Arquiteto e urbanista

Ricardo Silvestrin – Poeta

Ricardo Stricher – Fotógrafo

Rita Mauricio – Atriz e bonequeira

Rochelle Silveira – Atriz (Povo da Rua Teatro de Grupo)

Rodrigo Ferreira – Ator Companhia KHAOS Cênica

Rodrigo Sacco Teixeira – Ator e performer

Rogerio dos Santos Colpes – Assistente legislativo da Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Ronaldo Martins Botelho – Assessor de comunicação (Canoas)

Rosane de Almeida Scherer – Jornalista e produtora cultural

Rosane Furtado – Produtora cultural

Rose Canal – atriz

Rozane Dalsasso – Professora e ativista cultural

Samuel Oliveira – Professor, ator e performer

Sandra Carmerini Corrêa Vieira – Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Pelotas

Sandra Dani – Atriz

Sandra Mello Narcizo – Produtora Cultural e Professora

Santiago Neltair Abreu – Cartunista

Shirley Rosário- Diretora e iluminadora do UTA

Silvia Canarim – Bailarina, coreógrafa e professora de Dança Mestranda no Programa de Pós graduação em Artes Cênicas da UFRGS

Simone Lersch – Gestora cultural

Sofia Cavedon – Vereadora de Porto Alegre

Sofia Militão – Atriz e palhaça no grupo TIA

Suzane da Rosa Wonghon – Artista visual

Svendla Chaves – Jornalista

Tânia Farias – Atriz

Tatiana Nequete – Diretora e roteirista

Tatiana Simon Bastos – Produtora Cultural

Tayhú Durigon Wieser – Ator Grupo de teatro DE PERNAS PRO AR

Thainan da Silva Rocha – Ator

Thiago Pirajira- Ator e diretor nos grupos UTA e Pretagô, professor de Teatro

Ursula Collischonn – Atriz e cantora

Vado Vergara – Produtor

Valéria Verba – Diretora de arte e Ex-Conselheira Estadual de Cultura do RS

Vanda Bress – Atriz e performer

Vanessa Berg – Designer de moda

Vera Pellin – Produtora, designer e professora do atelier livre

Vicente Goulart – Iluminador e striper

Victor D’Alcantara – Fotógrafo

Vitor Ortiz – Gestor cultural e ex-secretário da Cultura de Porto Alegre e ex-secretário-executivo do MINC

Vivian Nickel – Professora

Vivian Schäfer – Diretora de produção

Viviane Juguero – Dramaturga, atriz e educadora

Wagner Madeira – Ator

Wilson Furtado Cavalcante – Artista visual, gravador, desenhista Instrutor de Artes Plásticas do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre

Zé Caradípia – Músico

Zuleika Escobar – Roteirista e produtora cultural

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MP cria grupo para buscar soluções para os moradores de rua

Primeira reunião do grupo de trabalho foi na segunda-feira, 12 / Foto Roger Silva/MP

O Ministério Público criou, no início deste mês, um grupo de trabalho para buscar, juntamente com outras entidades e órgãos envolvidos, soluções para a questão dos moradores de rua em Porto Alegre.

Débora Menegat, Mauro Souza, Ivana Battaglin e Daniel Martini

Débora Menegat, Mauro Souza, Ivana Battaglin e Daniel Martini

“Nossa ideia é reunir, além de Município e representantes da população de rua, ONGs e voluntários que prestam assistência a essas pessoas”, disse o coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos, Mauro Souza, que participa do GT juntamente com promotores de Justiça das áreas do meio ambiente e ordem urbanística.

Sob o viaduto Otávio Rocha, no centro histórico

Cerca de 80 pessoas estavam vivendo sob o viaduto

 

 

Em reunião ocorrida nesta segunda-feira, 12, na sede do MP, foram ouvidos os responsáveis pela ação ocorrida no último sábado, 10, debaixo do Viaduto Otávio Rocha, na Avenida Borges de Medeiros, no centro da Capital. O local era habitado por cerca de 80 pessoas.

Na ocasião, tanto representantes do Departamento Municipal de Limpeza Urbana quanto dos moradores de rua foram ouvidos pelos promotores de Justiça presentes.

O GT se reunirá novamente na próxima segunda-feira, 19, com o objetivo de identificar e realizar ações que atendam as necessidades dessa população ao mesmo tempo em que sejam preservados locais de uso comum, como monumentos e praças.

O viaduto, após a remoção

O viaduto, após a remoção

“Pretendemos buscar, com o Município, espaços próximos ao centro da cidade que possam ser ocupados”, disse Mauro Souza, lembrando que o MP já realizou diversas ações para atender aos moradores de rua, como a atuação para abertura de vagas em albergues e reabertura do restaurante popular.

Participaram da reunião os coordenadores dos Centros de Apoio Operacionais da Ordem Urbanística e Questões Fundiárias, Débora Menegat, e de Defesa do Meio Ambiente, Daniel Martini; a as promotoras Ivana Battaglin, dos Direitos Humanos de Porto Alegre, e Ana Marchesan, do Meio Ambiente; a procuradora do Município Andrea Vizzotto; o diretor da Fasc, Marcelo Soares; o diretor de limpeza e coleta do DMLU, Felipe Kowal; e os representantes dos moradores de rua Veridiana Farias Machado e Richard Campos, do Movimento da População de Rua.

Porto Alegre: população em situação de rua aumenta em mais de 50% em cinco anos

 

Fonte: Sul21

Resultados da pequisa foram apresentados por representantes da UFRGS e da Fasc | Foto: Maia Rubim/Sul21

Luís Eduardo Gomes

A Fundação de Assistência Social e Cidadania de Porto Alegre (Fasc) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) anunciaram nesta quinta-feira (15), em coletiva realizada no Paço Municipal, os dados de sua mais recente pesquisa sobre a população em situação de rua da Capital.

Em um levantamento realizado entre março e dezembro deste ano, as entidades contabilizaram 2.115 adultos em situação de rua na Capital. Desses, 1.758 aceitaram participar da pesquisa e tiveram dados cadastrados. Em 2011, haviam sido contabilizadas 1.347 pessoas. Em 2007, última vez que uma pesquisa qualitativa tinha sido realizada, eram 1.203. Foram considerados moradores em situação de rua pessoas que não tem uma residência fixa, recorrendo a albergues/abrigos, casas abandonadas, parques, viadutos e calçadas para dormir.

Patrice Schuch, coordenadora da pesquisa na UFRGS, pondera que não há uma causa específica para o crescimento dessa população. “Do ponto de vista da pesquisa, a gente pode falar dos motivos associados à ida para rua, como percebido pelos entrevistados. Nesse caso, nós temos cerca de 32,5% de pessoas dizendo que o principal motivo da ida para a rua foram questões associadas a problemas ou instabilidades familiares. Depois, nós temos o percentual de 24% de pessoas que disseram que o principal motivo relacionado à ida para a rua eram problemas ligados ao álcool e às drogas”, disse Schuch.

Patrice Shuch, coordenadora da pesquisa pela UFRGS | Foto: Maia Rubim/Sul21

Das 1.758 pessoas cadastradas – as demais se recusaram a responder a questionamentos -, 1.502 são identificados como homens (85,7%) e 242 como mulheres (13,8%); 34,4% como brancos, 24,5% como negros, 12,4% como pardos, 2,8% como indígenas, 0,7% como amarelos e 24,6% como outros.

Questionados sobre o local em que dormem, 698 disseram morar no bairro Centro (39,7% do total), 211 no Floresta (12%), 131 no Menino Deus (7,5%), 102 no Navegantes (5,8%) e 98 na Cidade Baixa (5,6%), totalizando 70,6% nestas regiões centrais. Ao todo, foram contabilizadas pessoas morando na rua em 42 bairros da Capital.

Além disso, foi aplicado um questionário a uma amostra de 467 pessoas, que apontou que 49,3% das pessoas em situação de rua da cidade nasceram em Porto Alegre, 9,8% na Região Metropolitana, 32% no interior do Estado, 6,9% em outros estados e 1,4% de outros países.

Em relação à faixa etária, 9,9% têm entre 18 e 24 anos, 28,7% entre 25 e 34 anos, 29,1% entre 35 e 44 anos, 25,3% entre 45 e 59 anos, e 7% tem 60 anos ou mais. Levantou-se que 25,2% moram há menos de um ano na rua, 27,1% de um a cinco anos, 18,6% de cinco a dez anos, 19,3% de dez a 20 anos, e 9,9% há mais de 20 anos. Também apurou-se que 12,5% das pessoas moram há menos de um ano em Porto Alegre, 12,2% entre um e cinco anos, 10,1% entre cinco e 10 anos, 14,1% entre dez e 20 anos, e 51,1% a mais de 20 anos.

Sobre o nível de escolaridade, 6% disseram ser analfabetos, 57,4% ter Ensino Fundamental incompleto, 12,8% ter Ensino Fundamental completo, 9,7% ter Ensino Médio incompleto, 9,9% ter Ensino Médio completo, 1,6% ter Ensino Superior incompleto, 0,8% ter Ensino Superior completo, 0,3% ter pós-graduação, 1% nunca ter ido para a escola e 0,5% não responderam.

O levantamento apurou ainda que a maioria (52,1%) das pessoas dormem cotidianamente em lugares de risco (como calçadas, parques, viadutos), enquanto o restante preferencialmente dorme em albergues, abrigos, hotéis/pensões (em geral pagos pela Prefeitura), casa de amigos ou casa própria.

Os números divulgados dizem respeito apenas à população adulta. Os números relativos a menores de idade serão divulgados em breve. Todos os dados estarão na publicação “População de Rua: políticas públicas, práticas e vivências”, a ser lançado no próximo ano.

Centro de Porto Alegre abriga cerca de 40% de todos os moradores em situação de rua da Capital. Na foto, viaduto Otávio Rocha | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Movimentos repudiam recomendação da Anvisa sobre como tirar agrotóxicos dos alimentos

Fonte: Brasil de Fato.

Órgão afirma que, para reduzir os resíduos de defensivos, basta lavar a casca do alimento com água e uma escovinha

Rute Pina
Brasil de Fato | São Paulo (SP), 01 de Dezembro de 2016 às 22:08
O morango é um dos alimentos mais contaminados por agrotóxicos  - Créditos: Venilton Küchler/ SESA
O morango é um dos alimentos mais contaminados por agrotóxicos / Venilton Küchler/ SESA

Para diminuir níveis residuais de agrotóxicos, basta que o consumidor lave a casca do alimento com água corrente e uma escovinha ou bucha. Esta foi a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no novo relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), divulgado na última sexta-feira (25).

Foram analisados mais de 12 mil amostras de 25 tipos de alimentos entre 2013 a 2015. O Para também concluiu que há “segurança alimentar aceitável” no Brasil— os dados indicam que apenas 1% dos alimentos analisados representa risco agudo à saúde.

Confira a versão em áudio da matéria (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):

Entretanto, as entidades que compõem a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos repudiaram, em nota, o novo relatório da agência. Para as organizações, o estudo apresenta “uma clara tentativa de ocultar os problemas causados pelos agrotóxicos no Brasil”.

O professor de Engenharia Agrônoma da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Transgênicos e Agrotóxicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Leonardo Melgarejo, considerou a orientação da agência “assustadora”.

“A maior parte dos venenos agrícolas não é utilizada para matar os insetos e as plantas pelo contato. Eles são produtos sistêmicos que matam através de circulação interna. Nestes casos, não se pode tirar estes produtos lavando a casca”, disse.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também publicou uma nota criticando o estudo. Para o órgão, a orientação para higienização dos alimentos pode causar ao consumidor uma falsa impressão de segurança. “Além disso, sentimos falta da recomendação do consumo de alimentos orgânicos, como já foi feita anteriormente”, disse Mariana Garcia, nutricionista do instituto .

Estudo viesado

O Idec ponderou ainda os resultados foram sistematizando de forma diferente de anos anteriores, o que dificulta a comparação dos dados.

Em 2010, o estudo apontava que em 37% dos alimentos não foram encontrados resíduos de agrotóxicos. Desde então, o consumo de agrotóxicos no Brasil subiu 11%, atingindo 914 mil toneladas em 2014. As intoxicações por defensivos agrícolas notificadas aumentaram em 17%, chegando a 4423 registros em 2014. Mas o novo relatório indica que apenas 1% destes alimentos representa risco agudo à saúde.

Segundo Melgarejo, a Anvisa supervaloriza os problemas agudos quando a maioria dos problemas acarretados pelos agrotóxicos são crônicos. Para ele, os resultados causam “estranheza” e são “surpreendentes”, já que não foram adotadas práticas de diminuição do uso de pesticidas e outras substâncias químicas no País desde o último estudo.

Contraponto

O Ministério da Saúde lançou em setembro um relatório que confirma o uso ostensivo de agrotóxicos no Brasil e aponta que entre 2007 e 2013 houve um aumento desproporcional da comercialização em comparação com a área plantada. Os dados sugerem que houve uma intensificação na aplicação de agrotóxicos na produção e, consequentemente, maior risco de exposição de quem trabalha no campo e da contaminação do meio ambiente, da água e dos alimentos.

“Se não mudaram os métodos, a realidade não mudou, se o volume aplicado [de agrotóxicos] cresceu, como entender essa redução nos resultados identificados?”, questiona o professor. “Se isso fosse um teste em uma universidade, um estudo de campo, nós pediríamos que os testes fossem repetidos”, adicionou.

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos apontou também que o estudo não considerou os herbicidas glifosato e 2,4-D, que correspondem a mais da metade das substâncias usadas nas lavouras brasileiras, de acordo com dados do Ibama de 2014.

Motivações

O docente da UFSC disse que o relatório parece mais “marketing do agronegócio” do que um estudo de “uma equipe responsável por proteger a sociedade contra danos à saúde”, e  teme que episódios como este contribuam para a falta de confiança nas instituições públicas.

“A Anvisa é uma instituição importante. Ela perder credibilidade porque apresenta dados contraditórios com relação à sua história não é algo que nos agrada e não serve aos interesses da sociedade brasileira”, afirmou.

Ele pontua que o episódio está em sincronia com inúmeras peças publicitárias que fazem campanha para excluir negócio da palavra agronegócio, e ocorre também no momento em que tramita o Projeto de Lei (PL) 3200/2015 na Câmara dos Deputados. De autoria de Covatti Filho (PP-RS), o texto pode substituir a palavra “agrotóxico” por “produtos fitossanitários”.

“É uma série de coincidências que procuram beneficiar os interesses do agronegócio, e essa matéria da Anvisa, por gosto ou sem querer, contribui neste sentido”, declarou.

O Idec propõe estimular os modelos alternativos, como a agroecologia e a produção orgânica, como é proposto no Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos, entregue recentemente pela sociedade civil à Câmara dos Deputados.

O Brasil de Fato questionou a agência sobre a metodologia da pesquisa e as críticas feitas pelas entidades. A assessoria de imprensa respondeu apenas que “a metodologia utilizada pela Anvisa é compatível com a de países de todo mundo e segue referência internacionais”.

Dia de Luta Contra os Agrotóxicos

Nesta semana, as entidades realizam debates e atividades em todas as capitais e coordenadas internacionalmente para marcar o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos neste sábado (3). Melgarejo explica que as campanhas pretendem dar visibilidade e conscientização a respeito dos riscos dos agrotóxicos.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, movimentos populares e entidades realizam, nesta sexta-feira (2), um “abraço ao Rio Gravataí”, na região metropolitana de Porto Alegre. O objetivo é chamar atenção para a Área de Preservação Ambiental (APA) Banhado Grande e pedir a prorrogação da medida que veta a pulverização de agrotóxicos em parte da área.

Origem da data

No dia 3 de dezembro de 1984, um acidente industrial de grandes proporções em Bhopal, na Índia, acarretou no vazamento de 40 toneladas de gás tóxico metil isocianato, químico utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, em uma zona densamente povoada. A principal causa do desastre foi negligência com a segurança.

Cerca de 30 mil pessoas morreram, 8 mil nos três primeiros dias. Aproximadamente 560 mil pessoas continuam com sequelas do acidente. Após a tragédia, a data foi estabelecida pela Pesticide Action Network (PAN) como o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

“SI PENSAMOS EN TÉRMINOS METABÓLICOS, LA CIUDAD NO ES INDEPENDIENTE DE TODAS LAS REDES Y FLUJOS QUE LA SOSTIENEN”: David Harvey.

Fonte: La Linea de Fuego

David Harvey. Foto: Edu León
David Harvey. Foto: Edu León

Redacción Lalineadefuego y el Observatorio del Cambio Rural

24 de octubre 2016

‘’La lucha en San Roque tiene que ver con la preservación de la historia cultural de la población indígena, por la defensa de sus formas culturales’’.

David Harvey, no solo es distinguido profesor de Antropología , sino al mismo tiempo probablemente el geógrafo académicomarxista más citado del mundo.

Gracias a sus aportes en temas como el derecho a la ciudad y su cercanía a las organizaciones del  Mercado de San Roque, en el contexto de Hábitat III Harvey conversó con OCARU y Lalineadefuego respecto al papel de los mercados populares y la Soberanía Alimentaria en las ciudades.

¿Qué debemos entender cuando nos referimos al Metabolismo Social en las ciudades?

Uno no debe acercarse al tema de la ciudad en términos mecánicos. Tenemos que pensarla orgánicamente. Es necesario verla como algo que está en crecimiento, como algo ‘vivo’’, donde los  habitantes la cambian constantemente, donde los flujos de energía, de agua y comida son elementos que sostienen su  vida diaria. Pero eso no es todo. Además de estos elementos materiales, es necesario tomar en cuenta los flujos de dinero, de poder, de influencia. Debemos preguntarnos: ¿quiénes son los que controlan las llaves de los flujos dinero y poder? ¿qué sectores de la ciudad reciben servicios públicos adecuados y qué sectores reciben malos servicios?

Otro factor para tomar en cuenta es la vida cultural en las calles y cómo esta varía de un sector a otro. Lo interesante  es que a veces son los sectores que tienen menos servicios públicos, los que tienen más vida en las calles. Y en este sentido, muchas veces encuentro proyectos de la llamada ‘regeneración urbana’ que desde mi punto de vista no lo son, y que en realidad representan  procesos de degeneración urbana. En  muchos casos la gentrificación provoca transformaciones culturales negativos.

Cuando se refiere al derecho a la ciudad, ¿cómo  incluye a los campesinos e indígenas que habitan  las ciudades?

Yo no veo el derecho a la ciudad como algo que tiene que ver con un territorio definido. Si pensamos en términos metabólicos, la ciudad no es independiente de todas las redes y flujos que la sostienen. Por ejemplo, el Mercado de San Roque es un lugar en el cual el campo se encuentra dentro de la ciudad, en donde hay flujos migratorios a partir de los cuales la gente regresa al campo y luego vuelve a la ciudad. Por tanto, el derecho a la ciudad debe pensarse como un derecho político. Debe servir para cambiar el entorno en el cual se vive, con los recursos para transformar la vida, para mejorarla y, en particular, para que ese derecho pertenezca a la gente que menos tiene. Desafortunadamente, todos reclaman el derecho a la ciudad: los ricos, los financistas, los empresarios y los constructores buscan construir cosas disparatadas.

En Quito, me enteré de algunos proyectos que, por ejemplo, proponían desalojar a todos los indígenas del centro histórico. Es decir que hay una lucha y el derecho a la ciudad supone el derecho de los que menos tiene de luchar por mejorar su vida dentro de la ciudad. La lucha en San Roque, por ejemplo, tiene que ver con la preservación de la historia cultural de la población indígena, por la defensa de sus formas culturales. Es por eso que si bien yo aún utilizo el término Derecho a la Ciudad, estoy consciente de que en estos días la ONU se ha apropiado del término.

Lo que usted menciona nos refiere a una lucha por la ciudad entre diferentes sectores sociales, específicamente en el caso de los mercados populares. ¿Cuáles son los conflictos sociales y políticos que enfrentan quienes están luchando por la defensa de los mercados?

No existe movimiento social alguno que no mire hacia diversas direcciones, de maneras distintas y donde no existen luchas por el poder. De acuerdo con mi experiencia de los movimientos sociales, hay mucha fracción. La gente de los mercados trabaja mejor cuando está unida, pero siempre existen aspectos que los separan, independientemente de las presiones externas. Pero no creo que el conflicto sea algo malo. Es una parte muy importante de las pasiones de la gente comprometida pero, a veces, puede producir rupturas. Sin embargo, de esto se trata la vida.

 Hay gente que prefiere los supermercados a los mercados populares como San Roque porque ofrecen mejores condiciones, ¿Qué tipo de alternativas hay frente a los supermercados? ¿Las cooperativas, por ejemplo?

Depende del equilibrio de fuerzas, de que sí realmente quieran movilizarse dentro o fuera de los mercados. Pero estoy de acuerdo en que la gente de los mercados debe tener  cuidado cuando se presentan a la gente que va a comprar.  Si quieren competir con los supermercados, tal vez, tendrían que abrir todo el día porque existe mucha gente que hace sus compras en la noche. Tal vez sería buena idea tomar una parte del mercado de San Roque para convertirla en un centro de acopio y distribución que funcione las 24 horas. Entonces, el cooperativismo podría funcionar si es que hay gente que está interesada en hacerlo funcionar, se puede, pero ahí viene la pregunta acerca de si hay o no gente que quiere tomar esa ruta. En la actualidad hay diversas organizaciones adentro y afuera del mercado que, aparentemente, no siempre están de acuerdo las unas con las otras. Entonces esto es parte del problema, la organización interna.

Respecto a la producción y distribución de alimentos, el panorama está dominado por cadenas globales alimenticias  que controlan la exportación y las redes de comercialización, delegando cada vez más el cultivo a los pequeños y medianos productores locales que terminan asumiendo  todos los riesgos de la producción. ¿De qué se tratan en realidad estas cadenas? ¿Qué sucede en términos de la renta y el precio de la tierra? ¿Qué hacer para salvaguardar a los pequeños y medianos productores desde las políticas públicas?

Creo que es un asunto de poder, de lograr poner en práctica las ideas frente a un bloque económico con intereses muy fuertes. En relación a lo que sucede respecto al precio de la tierra, en Argentina por ejemplo el precio de la tierra se ha incrementado dramáticamente debido a las políticas agrarias. No estoy al tanto de lo que pasa acá pero sospecho que el precio está aumentando,

Al mismo tiempo, estas grandes corporaciones de comercialización tienen contratos con la gente que les proveen y el resultado es que hay una cantidad enorme de desperdicios porque en los supermercados solo aceptan cierta calidad y cantidad; por ejemplo, si los limones tienen pequeñas manchas, no van a aceptarlos. Hay algunos estudios en EE.UU. que dicen que hasta el 40% de los alimentos son desperdiciados.

Existe la propuesta de obligar a los supermercados a dedicar una parte de su espacio a la venta de  productos que no están en perfectas condiciones. La idea es buena. Sería una fuente de comida para la gente que menos tiene y  una innovación como ésta podría ser importante en un país como EE.UU.,  donde el 30% de los niños padecen malnutrición.

Pienso también que sería bueno que el Estado tenga un sistema de seguros para cubrir los riesgos de los pequeños productores ya que estos están asumiendo todos los riesgos. Muchos de los pequeños productores no cuentan con suficiente dinero para pagar un seguro y estos problemas se han de resolver; el Estado debería ayudar en ese sentido.

¿Por qué estas temáticas no son de interés para el debate sobre la ciudad en Hábitat III? 

Creo que la primera reunión de Hábitat fue más o menos interesante pero ahora se ha degenerado en una organización de mercadeo que está dominada por principios políticos neoliberales;  no creo que estén discutiendo nada significativo aquí en Quito. Se trata solamente de algunas empresas que venden su software de ‘Smart Cities’ o sistemas teleféricos etc. etc.  El espacio se ha degenerado. Es increíblemente aburrido.

Ahora que mencionas que Hábitat está dominado por principios neoliberales, si uno mira el panorama nacional y regional luego del paso de los llamados “gobiernos progresistas”, pareciera que, en efecto, no hay alternativa al neoliberalismo, que nos enfrentamos a un escenario en el que solo podemos elegir entre el neoliberalismo salvaje y el de “rostro humano”,  ¿Qué piensas sobre esto?

Parte del problema de los gobiernos progresistas en América Latina fue que, desde el principio, no desafiaron a los centros principales del poder; entonces, estos centros de poder tienden a regresar y volver a tomar las riendas. El segundo punto es que dichos gobiernos vivieron un período en el que fueron razonablemente  ricos debido a los altos precios de las commodities. Esta riqueza la gastaron en redistribución pero no tuvieron fondos de reserva para ayudarles a sobrellevar períodos de precios bajos y los embates de la derecha. Entonces, ahora están en un período en el que los precios de las commodities están a la baja, la economía en crisis y  la derecha aprovecha para buscar su oportunidad. Sin embargo, no creo que esto implique el fin de la izquierda. Creo que la velocidad con la que actualmente se mueven Macri y Temer sugiere que ellos saben que no van a estar en el poder por mucho tiempo.

Por tanto, la Izquierda tiene un buen momento para reflexionar sobre lo que estaba haciendo durante los últimos 10 años, para pensar en la próxima vez que llegue al poder, en cómo va a manejar la economía y en cómo va a desafiar a los centros de poder. En 5 años veremos un resurgimiento de la izquierda; en parte porque la solución neoliberal no soluciona nada. La solución neoliberal simplemente incrementa las desigualdades y produce daños al medio ambiente. Mucha gente ha visto durante los últimos 5 años que sí hay alternativas, y están dispuestos a desarrollar un movimiento político a partir de dichas líneas de acción.

Traducción, Gerard Coffey. Revisión de texto, Karla Encalada.