O coletivo dos insurgentes em Porto Alegre. Por Najar Tubino

Fonte: Sul21

No dia 6 de novembro o Coletivo Cidade Que Queremos, de Porto Alegre (RS), composto por 23 organizações, entre movimentos sociais, ambientais e profissionais, completa um ano de existência. A capital gaúcha convive com uma desenfreada especulação imobiliária, que pretende se apropriar da orla do gaúcho – do centro até o bairro Lami -, e pelo mando das empresas de transporte. Resumindo: duas corporações empresariais, SINDISCON e a ATP – mandam na cidade. Uma formada pelos construtores e incorporadores, que inclui uma empresa do grupo RBS de Comunicações, a Maiojama, e outra pelos transportadores de passageiros.

Porto Alegre, cidade onde nasci e vivi por muitos anos, é a capital que tem o maior índice de fumantes entre as capitais, assim como tem o maior índice de pessoas com obesidade ou acima do peso, que também mais bebe refrigerante, além de ser a primeira capital em casos de AIDS.

Mas o maior problema, nesse momento, certamente é a gestão democrática. Durante 16 anos, o Partido dos Trabalhadores dirigiu essa cidade. Criou novas formas de participação da população, como o Orçamento Participativo e diversos conselhos com participação assegurada de integrantes da sociedade civil. Coisa que foi desvirtuada ao longo do tempo. O caso mais grave é do Conselho de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, que aprova os projetos imobiliários e as tendências de crescimento da cidade.

O progresso, que na forma dos especuladores imobiliários e financeiros é expressado pela construção de shopping Center, condomínios elitizados e apropriação de espaços naturais que são fundamentais para uma metrópole que já beira 1,5 milhão de habitantes, e que tem uma região metropolitana que engloba 3,5 milhões de habitantes.

A última jogada, se é que podemos chamar assim – por se tratar de um jogo de cartas marcadas – é a ocupação da orla do Guaíba, que bordeja a cidade, um espaço nobre que por enquanto só tem duas torres construídas junto ao Barra Shopping Sul. No projeto de “revitalização” do Cais Mauá, uma incompetente ação do Estado, de desconstruir algo que é fundamental como modal de transporte, serão realizadas algumas mudanças na área, como a construção de quadras esportivas, entretanto, no recheio do bolo estão duas ou três torres. Pior ainda é o projeto do especulador financeiro Iboty Ioschpe, que pretende construir duas mil casas de alto padrão no bairro Lami, onde antes era a Fazenda Arado, do falecido Breno Caldas, da falida Caldas Júnior, outrora poderosa com três jornais, uma rádio e uma televisão. Iboty tinha 40% da Massey Ferguson, empresa fabricante de tratores e colheitadeiras. Ele e o irmão, Ivoty Ioschpe, tomaram caminhos diferentes depois que arrecadaram alguns milhões de dólares com a venda para os norte-americanos. Ivoty comprou 80 mil hectares no Maranhão e foi explorar a área que o agronegócio chama de Matopiba. O outro, puro sangue da especulação financeira, se voltou para Porto Alegre, a capital que têm aluguéis caríssimos, terrenos idem, e a especulação vive como os japoneses na década de 1980, quando qualquer metro quadrado valia milhões de dólares. Até caírem na real.

Os Insurgentes, rebelados, como queiram, do Coletivo Cidade Que Queremos, a maioria de cabeça branca vai comemorar o aniversário de um ano na Redenção, embaixo da figueira que está localizada quase na frente do monumento do expedicionário. Todas as organizações que tem algum tipo de luta em Porto Alegre estão convidadas. Cada um leva o seu lanche e uma cervejinha, porque o calor já chegou.

Najar Tubino é jornalista.

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