1ª Conferência Popular da Cidade de Porto Alegre

Folder_ConferenciaPopular

A 1ª Conferência Popular da Cidade de Porto Alegre é uma proposta do Coletivo A Cidade que Queremos. A ideia da conferência surgiu a partir de discussões que o grupo vem realizando nestes últimos anos. Inicialmente foram debatidas questões relacionadas às áreas centrais da cidade – Cais Mauá, Orla do Guaíba, Pontal do Estaleiro, Centro Histórico, 4º Distrito -, mas aos poucos a pauta foi se ampliando. Também começaram a ser discutidas desde as distorções do processo de participação, a gestão democrática, a falta de controle social, problemas de mobilidade e transporte, questões ambientais, sustentabilidade, usos dos espaços públicos e a função social da cidade e da propriedade. Por causa disto, a complexidade das questões tratadas apontaram para a necessidade de um olhar para toda a cidade e o envolvimento de outras entidades, movimentos, cidadãs e cidadãos de Porto Alegre.

Assim, foi proposta a realização da 1ª Conferência Popular da Cidade de Porto Alegre. No dia 18 de junho de 2016 ocorreu a Pré-Conferência da Cidade, com a participação de mais de 70 representantes de diversas organizações sociais, entidades, movimentos populares e sociais, cidadãos e cidadãs de Porto Alegre.

O encontro confirmou mais uma vez que SOMENTE COM PARTICIPAÇÃO POPULAR É POSSÍVEL CONSTRUIR A CIDADE QUE QUEREMOS. Neste sentido, a partir da pré-conferência, várias Rodas de Conversa foram se organizando em diversos bairros de Porto Alegre como forma de preparação para a Conferência Popular. Os Bairro Bom Jesus, Centro Histórico, Zona Sul, Navegantes, Humaitá, Floresta, Região Nordeste, já discutiram sobre A Cidade que Queremos. Desta forma, outras temáticas, regiões da cidade e participantes estão construindo a 1ª Conferência Popular da Cidade de Porto Alegre.

Vamos Lutar, Resistir e Avançar juntos!

A 1ª Conferência Popular da Cidade de Porto Alegre acontecerá no dia 06 de agosto, no período da manhã e tarde, com início às 9h, no Auditório do CPERS localizado na Av. Alberto Bins, 480, Porto Alegre.

PROGRAMAÇÃO

DIA 06/08

MANHÃ: 9h – Abertura 

Mesa Redonda:

Luciano Joel Fedozzi: Mestre e doutor em sociologia pela UFRGS. Docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, coordenador do Grupo de Pesquisa Democracia Participativa, Esfera Pública e Cidades (CNPq) Membro pesquisador do INCT/CNPq Observatório das Metrópoles. Tem experiência de pesquisa em sociológica política e urbana, com ênfase nos temas da cidadania, orçamento participativo e instituições participativas, sociedade civil e associativismo, esfera pública e questões urbanas. Leciona participação social e políticas públicas, sociologia urbana e sociologia no Brasil.
Betânia Alfonsín: Graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRGS, mestrado e doutorado em Planejamento Urbano e Regional. Professora da Faculdade de Direito e do Mestrado em Direito da Fundação Escola Superior do Ministério Público do RS e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Direito Urbanístico e Direito à cidade. Professora da PUC-RS vinculada ao Departamento de Direito Público. Atua como Coordenadora e professora de Educação à Distância no Curso Fundamentos Jurídicos das Políticas de Solo, vinculado ao Programa para America Latina y el Caribe do Lincoln Institute of Land Policy (EUA). Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU). Tem experiência na área de Direito Público, com ênfase em Direito Administrativo e Direito Urbanístico, atuando principalmente nos temas: Política Urbana, Planejamento Urbano, Política Habitacional, Regularização Fundiária, Direito à Cidade e Direito humano à moradia adequada.

10h30 – Debates 

TARDE: Continuação dos debates e encaminhamentos.

_____________________________________________________________________________

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1151401781572484/ 

Veja o Site da 1ª Conferência Popular da Cidade e faça sua inscrição:  http://www.conferenciapopularpoa.com.br/#block-2019

_____________________________________________________________________________

Coletivo A Cidade que Queremos

Captura de Tela 2016-05-26 às 20.45.14

 

Nova licitação para o Cais Mauá é defendida por 14 deputados

Fonte: Jornal Já

Fechado há dois anos, o Cais está mais desvitalizado do que nunca. Foto: Tânia Meinerz

A maior parte da Assembleia Legislativa ignorou o pedido. Era só responder se é contra ou a favor de uma nova licitação para a revitalização do Cais Mauá.

Quem solicitou o posicionamento dos parlamentares foi a Rede Minha Porto Alegre, iniciativa local de uma rede nacional que tenta, via internet, conectar demandas urbanas com o poder público.

O cais está fechado há dois anos. O simples passeio até a beira do Guaíba, para ver o pôr-do-sol do cartão-postal, tornou-se impossível. O investidor está descapitalizado e, mesmo que o projeto não fosse polêmico, o negócio parou.

A Rede Minha Porto Alegre acolheu a pauta do coletivo Cais Mauá de Todos, que defende um projeto para o cais sem arranha-céus, e criou, numa  plataforma chamada Panela de Pressão, um canal para cobrar do Parlamento uma posição.

Foram 690 e-mails pedindo uma nova licitação. Depois, telefonemas para todos os 55 parlamentares, e abordagens pessoais, pedindo que se posicionassem até a sexta-feira, 15/7, último dia de expediente antes do recesso parlamentar de inverno.

Apenas quatorze deputados responderam, justamente os que são favoráveis: Pedro Ruas, do PSol, Manuela d’Ávila e Juliano Roso, do PCdoB, e os petistas Adão Villaverde, Edegar Pretto, Jeferson Fernandes, Stela Farias, Luiz Fernando Mainardi, Valdeci Oliveira, Tarcisio Zimmermann, Zé Nunes, Nelsinho Metalúrgico, Miriam Marroni e Altemir Tortelli.

Movimentos cobram rescisão de licitação do Cais Mauá e deputados prometem Frente Parlamentar

Fonte: Sul21 – 17/03/2016

Audiência foi a primeira realizada na Assembleia sobre o assunto | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Débora Fogliatto

Em audiência pública na noite desta quarta-feira (16), representantes de movimentos sociais e da sociedade civil pediram a rescisão da licitação e do contrato da empresa responsável pelas obras no Cais Mauá. Os participantes lotaram o Teatro Dante Barone para debater os impactos do projeto, que estaria em inconformidade com a legislação ambiental e urbanística, destacando concordar com a necessidade de revitalização do local, mas não aceitar que o processo tenha sido feito sem consulta popular. Os deputados da Comissão de Saúde e Meio Ambiente  presentes na audiência se comprometeram a tentar formar uma Frente Parlamentar “institucional e social” para discutir a revitalização. Apesar de convidadas, a Prefeitura e a Cais Mauá do Brasil S.A não estiveram presentes na audiência.

A polêmica em relação às obras do Cais não começou agora. Há pelo menos três anos, grupos denunciam que a licitação foi feita de forma a beneficiar apenas um consórcio, o único que conseguiu cumprir as exigências do edital, e que tudo foi feito sem consulta à população. As críticas são principalmente à previsão de construção de um shopping center, além de milhares de vagas de estacionamento, torres comerciais e um hotel. O deputado Tarcísio Zimmerman (PT), propositor da audiência, relatou que a Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia “foi procurada por um conjunto de cidadãos, que relataram uma série de fatos, como descumprimento de normas contratuais, urbanísticas, desrespeito a legislação ambiental”.

As entidades convidadas para compor a mesa expuseram diversos argumentos contrários a alguns aspectos da proposta, especialmente a construção de um shopping center na orla do Guaíba. “A rigor, ainda não existe um projeto, existe uma série de intenções que não estão completamente prontas, o que nos deixa à vontade para propor alterações. Nós somos contra o shopping naquele lugar, naquele tamanho, com aquelas características. Ele tem uma área 8 vezes maior que a do Gasômetro”, argumentou Tiago Holzmann da Silva, do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).

Tiago criticou o projeto do ponto de vista da arquitetura e urbanismo | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Ele também mencionou a questão dos recursos públicos, uma das alegações usadas pela Prefeitura para justificar a necessidade de fazer parcerias com a iniciativa privada neste caso. “Para recuperar os armazéns, que é o que todos nós queremos e concordamos, vai custar R$ 43 milhões. Isso é uma quantidade ínfima em relação ao orçamento da revitalização, todo o restante é para fazer o que o empreendedor precisa pra ganhar dinheiro”, apontou. Enquanto isso, o poder público investe em obras controversas, como o novo viaduto da avenida Bento Gonçalves, criticado por arquitetos e setores da sociedade. “Na opinião dos urbanistas, aquilo é uma obra esdrúxula, que soterrou a Igreja de São Jorge”, apontou Tiago.

As parcerias público-privadas (PPPs) não são exatamente o problema, mas sim a forma como esta foi feita, conforme explicou Kátia Suman, do movimento Cais Mauá de Todos. “Achamos que as PPPs podem ser bastante eficientes, desde que realmente atendam ao interesse público, e não é o que temos visto nesse empreendimento. Estamos falando da área mais importante da cidade, do ponto de vista histórico e simbólico. Não é possível que se faça qualquer coisa sem pensar no futuro da cidade, no modelo de cidade que queremos”, afirmou.

A priorização do transporte por carros, com a criação de cinco mil vagas de estacionamento, criaria uma “lógica perversa” para o ambiente público, que seria prejudicial para o Centro da cidade. “Isso tira as pessoas das ruas. O poder público não pode se colocar como titular do bem, o prefeito não é dono do Cais Mauá, ele é administrador e deve assegurar nossos direitos”, completou Kátia, sob aplausos da plateia que lotava o Teatro.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Movimentos sociais e manifestantes criticam projeto por não ter passado por consulta da população | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Para Caio Lustosa, da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), “há um conluio do município de Porto Alegre com esses empreendedores”. Já Sílvio Jardim, do movimento Cidade que Queremos, denunciou que o consórcio Cais Mauá do Brasil S.A mudou sua composição diversas vezes após vencer a licitação.

Único representante do poder Executivo presente, Vanderlan Frank Carvalho, secretário-adjunto de Transportes do Rio Grande do Sul, relatou o estudo feito pelo grupo de trabalho formado pelo governo estadual para analisar as questões contratuais do projeto. “Não estamos entrando no mérito do empreendimento, nós recebemos um contrato em andamento e buscamos respostas técnicas para serem compiladas e alcançadas a todos os órgãos que tem competência para analisar”, resumiu ele sobre o trabalho feito, que não encontrou irregularidades no contrato. “Entendemos, no entanto, que o Cais Mauá tem que ser entregue para a sociedade e nós vamos perseguir isso, respeitando as opiniões, competências de todos os órgãos envolvidos e fazendo cumprir a lei”, afirmou.

A promotora Ana Maria Moreira Marchesan, da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, destacou que houve avanços a partir de ações realizadas pelo Ministério Público, como o tamanho do shopping center, que inicialmente seria da altura da Usina do Gasômetro. “Eu e uma procuradora do Ministério Público Federal, já que há bens tombados pela União, emitimos recomendação para que não fizessem isso. Desde então, insistimos para que a Equipe do Patrimônio Histórico Cultural e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico traçassem condicionantes e fossem ouvidas. As recomendações foram atendidas num primeiro momento e continuamos monitorando”, relatou.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

O cais é uma das mais importantes paisagens de Porto Alegre | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Com a conclusão do Estudo de Impacto Ambiental e respectivo relatório de impacto ambiental (EIA-rima), as promotoras perceberam que haveria necessidade de corte de um grande número de cortes para construir uma passarela, o que foi contestado e acabou sendo retirado do projeto. “Estamos muito ligados a esse tema e eu estou colhendo elementos importantes aqui.”, garantiu.

Quando o microfone foi aberto para a plateia, o professor da UFRGS Francisco Marshall sugeriu que seja construído um parque estadual no Cais Mauá, que poderia ser um cenário para “uma nova economia criativa contemporânea”, a partir de empreendimentos na área da educação e cultura. O deputado Adão Villaverde (PT) comprometeu-se com uma Frente Parlamentar para debater a revitalização que levará em conta esta ideia, numa “perspectiva sustentável”.

Confira mais fotos:

 Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

 Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

16/03/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Audiência Pública sobre o Cais Mauá, na Assembleia Legislativa. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

16/03/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Audiência Pública sobre o Cais Mauá, na Assembleia Legislativa. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Movimentos convocam ato para debater privatização da orla

Fonte: Jornal Já – 4/11/2015

Uma dezena de movimentos sociais, ambientalistas e comunitários de Porto Alegre se reúne, nesta sexta-feira (06) para o lançamento oficial do coletivo “A Cidade que Queremos”, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

No ato, marcado para às 10h na sala Maurício Cardoso, o grupo vai denunciar o que considera a privatização da orla do Guaíba através de projetos que entregam para a exploração imobiliária, áreas às margens do rio que deveriam privilegiar o uso para o lazer.

“Se trata, na verdade, de edificar a orla, transformando-a em um lucrativo negócio”, explica um manifesto distribuído na abertura da Feira do Livro.

Entre os projetos que serão abordados, está a revitalização do Cais Mauá, o antigo Pontal do Estaleiro (rebatizado recentemente de Parque do Pontal), as construções na área do Sport Club Internacional e até o projeto do arquiteto curitibano Jaime Lerner para a região do entorno do Gasômetro.

“É evidente que as contestações técnicas e políticas sobre essas intervenções não são ouvidas pelo poder público”, condena o texto.

Na oportunidade, os movimentos pretendem debater com os presentes a recente cheia do Guaíba e os possíveis impactos de inundações nesses projetos. Também serão abordados os apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre irregularidades na licitação da obra do Cais Mauá.

O evento é aberto e faz parte da estratégia do grupo de rearticular o extinto Fórum de Entidades, que participou ativamente do processo de revisão do Plano Diretor de Porto Alegre e teve papel preponderante no episódio do Pontal do Estaleiro, pressionando as autoridades para que se realizasse uma consulta popular sobre o projeto.

O JÁ possui um projeto de financiamento coletivo para lançar uma edição especial sobre as obras previstas para a orla do Guaíba, com especial ênfase no Cais Mauá. Para doar, basta acessar este link ou escrever para naira.hofmeister@gmail.com.

Deputados aprovam audiência pública sobre Cais Mauá

Fonte: Jornal Já – 9/12/2015

NAIRA HOFMEISTER

Os sete deputados presentes na reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (09), aprovaram por unanimidade a realização de uma audiência pública na casa para tratar sobre o projeto de revitalização do Cais Mauá em Porto Alegre.

“É uma conquista do movimento”, saudou o servidor público Silvio Jardim, que integra o coletivo A Cidade Que Queremos.

“Será fundamental, porque as audiências públicas que tivemos até agora foram pró-forma e não trouxeram respostas aos questionamentos do movimento“, completou o ambientalista e membro do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), José Fonseca.

A audiência pública já está marcada para o dia 16 de março, uma quarta-feira, às 10 horas da manhã. Serão convidados para debater o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, o chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Márcio Biolchi, representantes do consórcio Cais Mauá do Brasil S.A e dos movimentos que questionam o modelo previsto para a revitalização, que além do restauro dos armazéns tombados, prevê a construção de shopping center, espigões e estacionamento para 4 mil automóveis.

Também, serão convocados a prestarem esclarecimentos o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado, que apontou irregularidades nos contratos de concessão da área ao empreendedor privado.

“Estamos atendendo a uma conclamação do movimento para que a Assembleia legislativa se aproprie do tema e possa tomar uma posição no debate, que ainda está muito restrito”, avalia o proponente da audiência pública, o deputado Tarcísio Zimmermann (PT).

legislação e meio ambiente em pauta

Deputado Zimmermann (PT) diz que acolheu pedido dos movimentos sobre a pauta | Naira Hofmeister

Deputado Zimmermann (PT) diz que acolheu pedido dos movimentos | Naira Hofmeister

A ementa do pedido de audiência pública sobre o Cais Mauá aponta que serão debatidos os “impactos ambientais e a conformidade com a legislação ambiental e urbanística da cidade de Porto Alegre”.

O movimento de cidadãos que questiona o projeto atual de revitalização, entretanto, espera mais do debate. “Há uma inspeção do Tribunal de Contas do Estado apontando ilegalidades nos contratos. E o TCE é um órgão auxiliar da Assembleia, portanto, é imperativo que haja manifestação da casa a respeito”, alega Silvio Jardim.

Entre os problemas encontrados pelo TCE-RS estão a falta de comprovação de um patrimônio de R$ 400 milhões como garantia para as obras e o detalhamento técnico do projeto em até 120 dias após a divulgação do resultado da licitação.

Nenhuma das duas cláusulas foram cumpridas pelo empreendedor, segundo o relatório do TCE, o que poderia ser justificativa para o rompimento do contrato.

Foram essas exigências, não cumpridas pelo consórcio vencedor, que afastaram um grupo internacional de arquitetos que planejavam participar da licitação, segundo a engenheira civil e hoje professora de arquitetura na Miami Dade College, Adriana Schönhofen Garcia.

“Estávamos muito empolgados e chegamos a avançar em pactos e parcerias, porém, eram apenas três meses entre o lançamento do edital e a apresentação das propostas e não houve tempo hábil para formalizar os contratos e detalhar os projetos”, lamentou Adriana em entrevista exclusiva para o Jornal JÁ.

O deputado do PTB, Luis Augusto Lara menciona como mais uma razão para o debate ser realizado as cheias do Guaíba. “Recentemente tivemos uma enchente que deixou debaixo d’água toda a Orla entre o Gasômetro e a Ipiranga, onde a prefeitura está aplicando recursos públicos para a revitalização. Precisamos urgentemente debater essas intervenções em áreas inundáveis para saber com clareza quais os riscos”, aponta.

Entidades se organizam para reivindicar o “direito à cidade”

Fonte: Jornal Já – 6/11/2015

NAIRA HOFMEISTER

Com as adesões dessa sexta, já passam de 10 os signatários do manifesto | Naira Hofmeister/JÁ

Com as adesões dessa sexta, já passam de 10 os signatários do manifesto | Naira Hofmeister/JÁ

Preocupadas com o que consideram uma excessiva intervenção de empreendedores privados no planejamento urbano de Porto Alegre, uma dezena de entidades lançaram, nesta sexta-feira (06) o coletivo A Cidade que Queremos, na Assembleia Legislativa.

“A mercantilização das cidades é um processo que se verifica em todo o mundo, patrocinado por um forte poder político e econômico. E a criação de fóruns locais para reivindicar esse direito à cidade e à reforma urbana é a única saída”, diagnosticou o professor da Ufrgs e coordenador do Observatório das Metrópoles em Porto Alegre, Luciano Joel Fedozzi, instituição que aderiu ao manifesto coletivo nesta sexta-feira.

O grupo tem entre seus integrantes associações comunitárias e ambientalistas, aglutina também movimentos como o Cais Mauá de Todos e entidades representativas, caso da seção gaúcha do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS).

“Temos que reagir! A cidade é da população e não da associação entre a construção civil e o poder público”, criticou o presidente do IAB-RS, Tiago Holzmann da Silva.

A proposta do grupo é apontar caminhos alternativos para resolver questões que mobilizam a população. Eles se comprometeram a promover debates e apresentar projetos que mostrem qual o modelo de cidade que idealizam para Porto Alegre.

Cais Mauá e Pontal do Estaleiro estão na pauta

Jaqueline relatou encaminhamentos jurídicos tomados pelo coletivo | Naira Hofmeister/JÁ

Jaqueline relatou encaminhamentos jurídicos tomados pelo coletivo | Naira Hofmeister/JÁ

Em gestação desde o final de setembro, o coletivo A Cidade que Queremos decidiu focar seus primeiros esforços no debate sobre o modelo previsto para a ocupação da Orla do Guaíba.

Por isso, as apresentações neste dia de lançamento enfocaram principalmente os questionamentos do grupo sobre a obra de revitalização do Cais Mauá – mas houve também espaço para uma fala sobre o antigo projeto do Pontal do Estaleiro (rebatizado de Parque do Pontal), feita pelo ex-secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre e ex-vereador, o advogado caio Lustosa.

“É um caso típico em que a construção civil se assenhora da legislação”, condenou.

Sobre o Cais Mauá, as falas do engenheiro civil do extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), Henrique Wittler, apontaram para o descumprimento de legislação na cedência da área, planejamento e execução do projeto.

Segundos seus documentos, a própria licitação apresenta números divergentes sobre a área – em uma parte, diz que o Cais Mauá teria 118 mil m², porém, o termo de referência assinado pelo empreendedor arrenda um total de 187 mil m².

Além disso, ele alertou que o shopping center previsto para ocupar o terreno ao lado da Usina do Gasômetro e a área do atual armazém A7, que deve ser demolido, está projetado sobre o Muro da Mauá, “que deve ter um vão livre de 7 metros para cada lado para operacionalizar as ações”.

“Os dois níveis de estacionamentos serão cortados pela cortina subterrânea do muro. É preciso explicar como será isso”, cobrou.

Já a advogada Jaqueline Custódio traçou um breve informe sobre três inquéritos civis que correm no Ministério Público do Estado envolvendo a área – um que investiga improbidade administrativa do poder público na negociação, outro que questiona os danos ambientais e ao patrimônio que podem ser causados pela demolição de parte da estrutura e um terceiro que aponta falhas no cumprimento da legislação sobre a ordem urbanística municipal.

“O que faltava era a confluência de todos os movimentos para ganharmos força porque um só não vai dar conta de tantas irregularidades que estão acontecendo”, elogiou.

Crítica é técnica e também política

Para além de questionar incoerências em documentos, leis que não são cumpridas e outros pontos vinculados à questão legal dos projetos previstos para a Orla do Guaíba, A Cidade que Queremos quer mobilizar a população para pressionar as autoridades.

“Cabem questionamentos técnicos e políticos, porque o poder público ignora a voz da cidadania enquanto dialoga com empresas e fundos internacionais”, condenou o ambientalista José Fonseca.

Uma série de mobilizações já estão sendo planejadas. A primeira já tem data para acontecer, na próxima sexta-feira, 13 de novembro.

Pela manhã, às 10 horas, o grupo volta a se reunir na Assembleia Legislativa para uma reunião aberta, que vai determinar os próximos passos do movimento. E neste mesmo dia haverá uma caminhada com saída da Feira do Livro, passando pela Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), que abriu um expediente para investigar as irregularidades nos contratos denunciadas pelos movimentos.

Vereador propõe ação popular contra tapumes

Sgarbossa sugere a cercas de proteção às obras | Naira Hofmeister/JÁ

Sgarbossa sugere a cercas de proteção às obras | Naira Hofmeister/JÁ

Presente na reunião dessa sexta-feira, o vereador do PT Marcelo Sgarbossa propôs aos presentes que se somem a uma iniciativa de seu gabinete de tentar bloquear a instalação de tapumes na Orla – o que está sendo feito pela empresa que vai executar o projeto do arquiteto Jaime Lerner no entorno da Usina do Gasômetro.

“Pelo menos que substituam por uma cerca de arame, para que a população não fique sem poder avistar o seu rio”, observou.

Sua ideia é levar adiante uma ação popular na Justiça (“mais uma”, emendou, referindo-se à que já tramita sobre o Cais Mauá) pedindo a interrupção do cercamento.

Para isso, o vereador precisa de assinaturas de cidadãos que tenham interesse em subscrever a ação.